MONITORAMENTO - Hospitais comparam resultados sobre sistema de notificação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de agosto de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Para os hospitais, a vantagem de haver um sistema atualizado no Estado é poder acompanhar o próprio desempenho em relação às infecções hospitalares. "Além disso, nos comparamos a outras instituições similares e trocamos informações com hospitais que apresentam bons resultados para implantarmos as mesmas medidas", analisa Flaviano Feu Ventorim, presidente da Femipa (Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná), se referindo ao Sonih (Sistema Online de Notificação de Infecções Hospitalares).
Segundo ele, ter informações atualizadas em relação às infecções se traduz em segurança aos pacientes, visto que o uso indiscriminado de antibióticos, inclusive de uso veterinário, têm favorecido o aparecimento de bactérias multirresistentes. "Os hospitais precisam estar alinhados porque o risco de uma contaminação se espalhar existe", alerta, referindo-se à possibilidade de profissionais de saúde trabalharem em dois hospitais, transferência de pacientes ou mesmo o uso de ambulância por diferentes pessoas propiciarem a disseminação de bactérias.
O dirigente da federação lembra que os hospitais são bem comprometidos com o controle das infecções, o que os obriga a tomar medidas "antipáticas". "Limitamos visitas, fazemos bloqueio...Tudo isso para evitar riscos ainda maiores", diz.
Para Ventorim, "quanto mais informação, melhor". "O programa da Sesa (Secretaria Estadual de Saúde) é fácil de preencher e também de consultar, o que facilita para que as instituições fiquem informadas sobre ocorrências", elogia.
O médico infectologista Walton Luiz Del Tedesco Junior, do Centro de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Londrina, reconhece que o problema é um dos que mais preocupa tanto médicos como pacientes. "Diante do uso indiscriminado de antibiótico, até 2050 a infecção hospitalar deve ser a maior causa de morte em relação a outras doenças", avisa.
Diante do aparecimento de bactérias cada vez mais resistentes e da falta de perspectiva de surgirem muitos novos medicamentos a curto prazo, a única solução possível, conforme o especialista, é controlar o uso de antibióticos e investir na prevenção. "Isso inclui o uso do antibiótico mais adequado para cada caso, o que fica mais fácil de decidir quando há informações sobre a incidência das bactérias", expõe.
Por isso, o médico defende que a sistematização de informações cada vez mais detalhadas sobre o problema é um aliado para redução dos casos. "Os hospitais conseguem avaliar os próprios resultados e se comparar com outros. Quem está abaixo da média sempre vai analisar como está agindo e o que é possível fazer para tentar conter surtos e reduzir a resistência", explica.


