O segundo semestre deve ser de luta para fazer renascer o movimento estudantil em Londrina. A União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules) aposta as fichas na reativação do prédio da entidade, localizado na Avenida Duque de Caxias (Centro). Atualmente o imóvel está fechado por falta de condições de uso e tornou-se alvo de críticas e da ação de vândalos .
''Nosso grande projeto para os próximos meses é reestruturar a sede e oferecer um espaço para os estudantes, principalmente os de baixa renda, que muitas vezes não têm opção de lazer'', informa Denis Lima dos Santos, secretário geral da Ules e diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Uma das possibilidades de reativação do prédio, porém, era uma parceria com o Movimento Hip Hop, através do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), que não deu certo.
Uma reunião na última sexta-feira mostrou que o projeto em conjunto era inviável. ''Não foi possível concordar com os termos do contrato, por causa dos calendários e dos horários de uso das duas entidades'', explicou o tesoureiro geral da Ules e diretor de grêmios da União Paranaense de Estudantes Secundaristas (Upes), Issao Shimamura e Silva. A idéia agora é fazer uma gincana entre os grêmios para levantar fundos para uma reforma emergencial.
Há cerca de dois meses a prefeitura terminou a reforma do telhado do prédio, mas para que ele possa sediar os projetos culturais e encontros previstos pela direção do movimento, precisa passar por melhorias nas estruturas hidráulica e elétrica, banheiros e pintura. Os diretores lembram que a Ules existe há mais de 50 anos e funciona em um prédio público, que nunca passou por melhorias. ''Na época da ditadura o barracão chegou a ser incendiado'', ressaltam.
O tesoureiro garante que apesar dos problemas com a sede, a entidade está ativa e organizada, principalmente nas escolas públicas. ''Trabalhamos em parceria com 18 grêmios. O problema é que em muitas escolas ainda encontramos resistência por parte de professores e diretores. Eles se esquecem que o movimento estudantil sempre apoiou as suas lutas.''
Os dois estudantes lembram que entre os avanços conseguidos pelo movimento estudantil no campo político está a criação do Conselho Municipal da Juventude, no último dia 2. ''O conselho é resultado de um trabalho de longo prazo, de várias conferências com a participação de representantes de diversos segmentos na tentativa de mobilizar os jovens'', diz Santos.
A principal bandeira de luta da Ules continua sendo a implantação do passe livre social para os estudantes, e segundo os diretores deve ser também motivo de mobilização que está sendo programada para o dia 11 de agosto, Dia do Estudante. Até o final do ano, também deve ser realizado um congresso na cidade, que vai eleger uma nova diretoria para a entidade e promover discussões sobre educação. ''Londrina tem tradição no movimento estudantil, até o prefeito já foi da Ules. Não podemos deixar que a cidade perca esta característica'', dizem os estudantes.

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