Momento da greve é questionado por delegados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de outubro de 2000
De Curitiba 
Os delegados que estavam ontem de plantão em delegacias e distritos de Curitiba foram unânimes na avaliação quanto às reivindicações dos policiais civis. Eles consideraram o movimento justo, mas questionaram o momento. O propósito é justo. A greve pode ser até fora de hora, mas foi a única solução que surgiu. Apenas acho que eles deveriam ter esperado o resultado das eleições, avaliou o delegado Armando Marques Garcia, titular da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas.
O delegado titular do Centro de Triagem, Miguel Stadler, concorda que o momento não seja o mais adequado para a greve. Eles poderiam ter feito em outro momento. É minha avaliação. Muito embora, a maioria manifeste a concordância com as reivindicações dos policiais, declarou.
Os policiais civis em greve reivindicam os mesmos benefícios concedidos pelo Estado para a Polícia Militar. O ponto principal é o da gratificação. Quatrocentos policiais civis conseguiram na Justiça o direito de receber o valor correspondente à dedicação exclusiva (TIDE - Tempo Integral de Dedicação Exclusiva). Eles ainda querem a implantação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), a retirada de presos das delegacias e distritos e a compra de equipamentos e armamentos novos.
Roberto Heusi de Almeida Júnior, delegado do 9º Distrito Policial,
disse que concorda com o aumento salarial da categoria. Mas ele também classificou como inoportuno o momento da greve.
O delegado titular da Furtos e Roubos, Hamilton da Paz, deu apoio incondicional a greve dos policiais civis. Apesar de manter um plantão mínimo de quatro presos na delegacia, ele considera o movimento justo. O delegado João Ricardo Képes Noronha, presidente da Associação dos Policiais Civil (Adepol) e ex-delegado geral afastado do cargo por suposto envolvimento com o crime organizado, disse que a entidade dá apoio total aos grevistas. Damos apoio porque sabemos que o movimento é moderado e não tem nada de eleitoreiro. É apenas um reflexo da falta de sensibilidade e respeito da Secretaria de Segurança Pública com os policiais civis, destacou. (L.P.)


