Mogno sai do País sem liberação do Ibama
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2000
Katia Michelle De Curitiba 
Em menos de noventa dias a empresa Brasmell Industrial Exportadora Ltda, de Curitiba, conseguiu liberar quase 300 toneladas de mogno para exportação sem autorização do Ibama. Carga de 97 metros cúbicos (m3), equivalente a 50 toneladas, foi liberada ontem, no Terminal Portuário da Ponta de Félix, em Antonina, Litoral do Estado, mediante liminar judicial. A exportação não tinha sido autorizada pelo Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pela falta de documentação que comprova a origem da madeira. Há dois meses a empresa exportou, também por meio de liminar, 500 m3 de mogno, segundo informou o próprio Ibama.
O procedimento administrativo do Instituto para liberar o mogno é diferenciado por se tratar de madeira em risco de extinção. Para exportar esse tipo de madeira, explica o responsável pela área de exportação do Ibama em Paranaguá, Otto Keffeli Júnior, a empresa precisa ser previamente habilitada e cadastrada pelo Ibama. De acordo com Otto, a Brasmell tem essa habilitação, mas para as duas últimas exportações não apresentou documento que comprova a origem da madeira e, por isso, o mogno não deveria ter sido embarcado.
A Folha apurou que a madeira é procedente de Roraima (PA) e chega ao Paraná por terra. A carga de ontem (50 toneladas) foi embarcada no navio Tarpon Santiago, que veio da Costa da África especificamente para ser carregado em Antonina. O navio foi carregado com cerca de 5 mil toneladas de madeira, a maioria Pinus, e seguiu ontem mesmo para o Caribe, segundo informou o diretor comercial do Porto da Ponta do Félix, Cláudio Fernando Daudt.
O Porto da Ponta do Félix opera desde maio deste ano e já movimentou cerca de 200 mil toneladas de carga geral (madeiras, fertilizantes e ferro) entre importação e exportação. O movimento representa 2% do registrado no Porto de Paranaguá. Desde o início do ano, 33 navios já atracaram no Porto, que tem capacidade para dois navios. Da madeira que passa pelo Porto para ser exportada, explica Daudt, um volume insignificante é de mogno. Cerca de 80% da madeira exportada é de Pinus.
O diretor comercial do Porto explica que toda carga exportada passa pela fiscalização do Ibama, mas a decisão judicial tem poder maior. Nós atendemos orientação judicial e a partir daí a carga pode ser embarcada. Nosso trabalho é apenas prestar o serviço no porto, salientou Daudt. O documento que determina que o Ibama libere a carga para exportação foi assinado pelo juiz federal substituto Luis Medeiros Jung.
A Folha tentou entrar em contato com o responsável pela exportação, mas não há registro da empresa no catálogo telefônico do Paraná.


