Módulos policiais abandonados viram mocós
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Se no passado, os módulos policiais construídos em bairros de Londrina ganharam a confiança da população por coibir práticas criminosas, atualmente eles chamam a atenção pelo motivo inverso. Abandonados por causa de mudanças nas políticas de segurança pública, os módulos estão sendo ocupados por andarilhos, marginais e usuários de drogas. Um deles, na área central da cidade, foi até apelidado de ''motel''. Outro foi demolido a pedido da comunidade.
Em 5 de setembro de 2003, depois de anos de abandono, a Câmara de Vereadores promulgou uma lei dando permissão para que o Executivo cedessse os módulos desativados para que empresas de segurança, legalmente constituídas, pudessem administrar esses espaços se houvesse a concordância da comunidade. Em contrapartida, esses permissionários ainda fariam a conservação dos arredores. Um dos autores do projeto, o vereador Tercílio Turini, disse que a idéia partiu dos moradores vizinhos ao módulo policial da Praça José Pegoraro, no Jardim Quebec (Zona Oeste). Segundo o vereador, eles reclamavam que o pequeno prédio estava atraindo marginais. Passado mais de um ano da aprovação da lei, nada mudou.
Cansados de esperar pela reativação do módulo, os moradores procuraram a Prefeitura pedindo a demolição e, nesta semana, o prédio foi derrubado. O secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, disse que o módulo foi demolido porque era muito pequeno e o comando da Polícia Militar admitiu não ter intenção de reativá-lo. Ele afirmou que outros módulos que estão abandonados também poderão ser demolidos, se a comunidade assim quiser. Freitas argumentou que os módulos deverão ser substituídos por pelotões militares similares ao que será inaugurado em janeiro de 2005 nas proximidades do Jardim Nossa Senhora da Paz (Zona Oeste), que são maiores e dispõem de melhor estrutura.
Existem ainda oito módulos em Londrina. Destes, apenas um, localizado na rotatória da rua Souza Naves (área central) funciona diuturnamente. Dois abrem parcialmente durante o dia e o restante foi desativado. Até o localizado na avenida Tiradentes (Zona Oeste) já teve janelas destruídas por causa da ausência de policiais. Alguns acabaram se transformando em mocós, como é o caso do localizado na Praça Princesa Isabel, na Vila Casoni (área central), e o da rua Araticum, no Jardim Interlagos (Zona Leste). O medo de represálias é tamanho que nenhum dos moradores abordados pela reportagem ousou se identificar. ''Isso virou motel para a molecada. Assim que escurece, eles já se aglomeram por aí'', disse um vizinho do módulo da Vila Casoni, que está completamente destruído e sujo. Um morador reclamou que chega a pagar para um senhor cuidar da praça de tempos em tempos. ''Gostaria que reformassem e não destruíssem. Quando tinha a PM, os policiais cuidavam até da praça'', disse.
No Jardim Interlagos, uma moradora relembrou que a comunidade ajudou na construção com a mão-de-obra e que teve até festa de inauguração. Agora, o módulo foi inteiramente depredado e serve de abrigo para marginais e viciados. ''Hoje nem saio mais na rua à noite e, por isso, não sei quem vem aí'', comentou.
A Folha tentou contatar o comando do 5º Batalhão da PM mas ninguém estava disponível à tarde para comentar o assunto.


