Modificação de praça preocupa moradores
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quarta-feira, 16 de maio de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Moradores da Zona Sul de Londrina estão preocupados com um projeto particular que prevê modificações na praça Koasi Yamamoto, localizada na Avenida Madre Leônia Milito. Um outdoor exposto no canteiro de obras do edifício Evidence, que está sendo construído ao lado da área pública, mostra uma ilustração da praça fundida com a parte externa do prédio, sem boa parte do gramado e das árvores existentes hoje.
Conforme essa planta, a entrada do edifício sairia diretamente na praça, com caminhos concretados para o acesso dos moradores. O site da construtora responsável, a Engenharia Favoreto, confere ao residencial o slogan ''Tão completo que já vem com uma praça'' e anuncia que o prédio terá ''áreas comercial e de serviço integradas à praça'' no térreo.
''A praça não é do prédio, é do povo. Todo mundo é favorável a melhorias, mas o que se vê naquele desenho (simulação) é um monte de cimento impermeabilizando o solo e o corte de árvores que chegaram antes do empreendimento'', critica o professor de Direito Cesar Bessa, que reside próximo ao local. Ele destaca que a praça não tem recebido atenção do poder público e carece de bancos e lixeiras, mas pondera que qualquer projeto tem que ser discutido com os moradores.
Apreensivos com o destino da vegetação da área, os moradores solicitaram à ONG RG da Árvore - entidade que cadastra exemplares arbóreos e incentiva a ''adoção'' dos mesmos pela comunidade - que fizesse com urgência uma visita à praça. A ONG identificou 51 árvores no local, sendo dois exemplares do raro pau-brasil, 13 ipês-roxos e 11 sibipirunas, além de mangueiras, jatobás, cedros e outras. Todas estão cadastradas com números de identidade próprios no site www.rgdaarvore.com.
''É uma informação certificada, com fotos datadas, disponível para a comunidade e a prefeitura. Se algo acontecer a partir de agora, os órgãos públicos podem tomar providências'', avisa o coordenador da ONG para a cidade de Londrina, Pablo Melo. ''Estamos tentando proteger esse patrimônio. É um ponto de encontro das pessoas nos fins de tarde e local de descanso para trabalhadores da região'', sublinha a moradora e servidora municipal Lia Correia.
O presidente da Associação de Moradores dos Altos do Igapó, José Luiz Massaro, afirma que vem discutindo o assunto com a construtora do edifício e que está ''bem próximo de um consenso'' sobre o projeto para a praça. ''Eles já modificaram o projeto umas duas ou três vezes e hoje o layout (da praça) está bem diferente daquele mostrado no outdoor'', diz.
O engenheiro responsável pela obra, Ângelo Favoreto, afirma que a área pública ''não será incorporada'' ao prédio. ''Pelo contrário, há um pedaço do nosso terreno que fará parte da praça. Simplesmente vamos fazer uma revitalização, por nossa conta. Do jeito que está hoje, ninguém aproveita. Será um presente para o povo'', declarou.
Segundo ele, o projeto já foi aprovado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) e deve ser iniciado em meados de 2008. ''Assumimos o compromisso de que nenhuma árvore será cortada e ainda vamos plantar mais'', assegurou.


