O comandante do Batalhão de Aviação do Exército (BavEx), coronel Achilles Furlan, 46 anos, tem experiência em missões de alto risco. Ele foi o observador militar brasileiro na guerra da Bósnia e pilotou um dos dois helicópteros que participaram do resgate de cinco reféns das Farc, em fevereiro deste ano, no país vizinho.

Responsável pelos 12 helicópteros que o Exército tem para trabalhar em toda a Amazônia, classifica como inadmissível esse número de aeronaves para atuar em uma área que corresponde a 56% do território brasileiro. Em tempo: o Exército não possui aeronaves de asas fixas; quando precisa de aviões recorre à Força Aérea Brasileira (FAB).

Doze helicópteros são suficientes para atuar na Amazônia?
A Amazônia é a prioridade estratégica número um da nossa força e a quantidade de aeronaves que ela precisa está perto de 300. A Colômbia tem um território menor do que o nosso e só de Black Hawk (helicóptero de fabricação norte-americana) tem 100. Não consigo ver o Brasil adquirindo posição de destque mundial diplomática e econômica sem o devido acompanhamento das forças. É pueril e infantil dizer que o Brasil é um país de paz. De fato, somos pacíficos, contudo, quanto mais tivermos projeção internacional, mais necessitaremos das forças armadas. Acho inadmissível ter 12 aeronaves para tomar conta de tantas riquezas.

E numa situação de conflito?
Após três anos de comando por aqui, tenho a absoluta certeza de que o soldado da Amazônia dá conta da missão. Ele dá conta pois faz milagre. Com esforço, cumprimos as nossas missões, mas com apenas 12 aeronaves seria impossível atuar em um conflito.

Seria necessário pelo menos dobrar a frota?
Não se dobra com facilidade a frota em um prazo de cinco a dez anos. Para que isso ocorra, a Nação tem que se movimentar. Não se pode priorizar tudo aqui, lá embaixo (no Sul e Sudeste do Brasil) estão os parques industriais. Não podemos guarnecer um lado para desguarnecer o outro.

Como é o trabalho do BaVex atualmente?
Temos que prover aeromobilidade para o Comando Militar da Amazônia. Em 2008, cumprimos 120 missões. Mesmo assim, neste momento, não consigo me fazer presente em toda a região. Se tivéssemos mais aeronaves conseguiríamos baseá-las além de Manaus. Você já imaginou o que é morar em Vila Bitencourt e ter um filho com uma crise de apendicite numa noite de chuva em que eu não consigo chegar lá para o resgate? No tempo em que estive fora do Brasil, militares de outros países me perguntavam como conseguíamos fazer logística na Amazônia, onde tudo é tão distante. Respondi que conseguimos porque fazemos assim desde o século 16. (W.S.)

mockup