Modelo exclui maioria das garantias sociais
O apoio da prefeitura de Londrina aos camelôs do Shopping Popular (Área Central) não vai na contramão apenas do combate à pirataria. Ao incentivar o comércio informal, o Município se afasta do ideal alardeado pelo governo federal de aumentar o número de trabalhadores brasileiros com carteira assinada e as consequentes garantias sociais, como 13º salário, férias e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Em meio aos 328 boxes do Shopping Popular, muitos dos quais empregando mais de três pessoas, apenas 58 funcionários têm registro em carteira, de acordo com o contador do camelódromo, Devanir Biasi. Ele afirma que 70% dos donos de boxes empregam a própria família, enquanto 30% contratam pessoas especialmente para o trabalho. O presidente licenciado da Organização Não-Governamental (ONG) Canaã (que representa a maioria dos camelôs do Shopping Popular), Ulisses Sabino Nogueira, acredita que os números representam um avanço.
''As famílias que trabalham no camelódromo estão vivendo só disso, e a tendência é aumentar o número de empregados com carteira assinada. O camelô hoje é um mini-empresário, tem CNPJ, apresenta notas, é um comerciante como qualquer outro, com a vantagem de gastar menos com condomínio, IPTU, aluguel, porque o negócio é pequeno'', afirma.
Sobre a ilegalidade das mercadorias vendidas pelos camelôs, Nogueira argumenta que grande parte dos camelôs vêm adquirindo produtos com nota nos ''grandes atacadistas'' de São Paulo, e que uma parcela desses comerciantes já vende mercadorias nacionais sem etiquetas de marcas famosas. ''Das mercadorias que vêm do Paraguai, a maioria ainda é sem nota. Quando o dono da marca (alvo de pirataria) reage, a Justiça faz cumprir a lei, como no caso dos CDs. Mas o Estado não tem interesse em chegar aqui e recolher tudo que está irregular, porque é sabido que os camelôs são pessoas carentes'', alega.





