Na análise da antropóloga Neusa Maria Mendes de Gusmão, o problema não está nas diferenças, mas no que nós, enquanto indivíduos, fazemos com elas e porque fazemos. O grande entrave para uma educação pública que reflita estas questões é político, segundo ela. ‘‘Temos um modelo de sistema educacional que é dado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelo Banco Interamericano, não só para o Brasil, mas para toda a América Latina’’.
Ela cita que o estudioso Franz Boas, em uma análise que fez sobre o modelo educacional europeu trazido para o Brasil, disse em 1910 que estávamos construindo uma pedagogia da violência com uma educação autoritária que visa o sucesso de uns em detrimento de outros.
Segundo a antropóloga, ouvir para poder trocar é a base da educação, mas hoje o que temos nas escolas é o ‘‘cala a boca e faça o que eu mando’’. ‘‘Como é possível exigir do professor um comportamento diferente levando em consideração as condições de vida e de trabalho que ele tem?’’, questiona.
Na Europa esta questão já está na esfera governamental devido aos inúmeros conflitos provocados pelas diferentes nacionalidades. ‘‘Os governos estão criando uma educação de cunho intercultural como forma de encontrar caminhos de solidariedade e tolerância para evitar os conflitos étnicos e raciais que estão acontecendo’’.
A antropóloga afirma que no Brasil ‘‘não há uma consciência de educação que permita não só o respeito mútuo, mas o direito político, social, cultural, daquele que, por ser diferente, é colocado na vala das minorias. Nesta vala estão inclusos índios, crianças, mulheres, idosos, negros, loucos, etc’’. (E.P.)

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