Modelo é o mais caro e menos eficiente
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segunda-feira, 20 de abril de 1998
Eliane Eme Sato Especial para a Folha 
Valdecir Galor/PMCSaturaçãoDas 23 toneladas de lixo hospitalar produzidas por dia, 22 vão para a vala séptica localizada na Cidade Industrial de CuritibaO modelo de destinação final de lixo hospitalar adotado em Curitiba é defasado, caro e se tornará inviável em poucos anos, segundo especialistas na área. O risco de contaminação do solo também é quase inevitável, diz a farmacêutica e bioquímica Laura Jesus de Moura e Costa, com mestrado em contaminação ambiental pela Politécnica de Madri, na Espanha. Segundo ela, o solo em Curitiba é muito poroso. O excesso de chuva também favorece a irrigação dos resíduos, podendo contaminar o solo, diz. Não há, porém, segundo ela, estudos referentes à vala séptica na Cidade Industrial.
Das 23 toneladas de resíduos produzidos por dia, uma tonelada é incinerada e 22 são lançadas na vala séptica na Cidade Industrial, que tem 92 mil metros quadrados e foi aberta em 1989. A vala tem apenas mais um ano de vida útil e a prefeitura não decidiu o que fará no futuro com o lixo considerado de alto risco de contaminação, cuja produção aumenta de 3% a 4% ao ano.
A adoção de tecnologia é o recurso mais eficiente para minimizar o problema da destinação final do lixo hospitalar, defende Laura. Nos países avançados, lembra ela, o contato do homem com o lixo foi praticamente eliminado, diminuindo em muito o risco de transmissão de doenças.
A engenheira química e bióloga Viviana Coelho, uma das poucas especialistas no Brasil em disposição de resíduos - entre os quais o lixo hospitalar - afirma que o método de incineração e também de vala séptica adotado pela Prefeitura de Curitiba é o menos eficiente e o mais caro. Pela incineração, o lixo é processado em alta temperatura - cerca de 1,2 mil graus Celsius -, o que torna imprescindível a adoção de medidas de segurança contra explosão e vazamento de gases tóxicos.
Um dos métodos mais comuns nos países desenvolvidos, diz Viviana, é a de auto-clavagem, que funciona com princípios parecidos com os de uma panela de pressão. O lixo fica depositado por cerca de duas horas em temperatura que atinge 120 graus centígrados, até que o resíduo seja desinfectado. A desvantagem é que o volume do lixo não diminui, ao contrário do sistema de esterilização termoquímica, o mais elogiado pelos especialistas.
Na esterilização termoquímica, o material passa por uma alta rotação e atinge temperatura de 150 graus Celsius. Há desidratação dos resíduos, que adquirem alto teor calórico, podendo substituir muito bem o carvão em fornos de cimento. As Santas Casas do Paraná, que recebem assessoria técnica de Viviana Coelho, estudam a possibilidade de adotar esterilizadores termoquímicos e vender os resíduos como combustível para indústrias de cimento.
No Brasil, nenhuma instituição de saúde adota ainda esses métodos modernos de destinação, afirma a engenheira, que presta assessoria para hospitais como Albert Einstein e Sírio Libanês, ambos em São Paulo. Através da empresa ZM Projetos, ela atua ainda em Aracaju (SE), Cuiabá (MT) e Brasília.
Como em Curitiba, no resto do País o método mais usado ainda é a incineração e valas sépticas. Devido ao excessivo atraso, teremos de recuperar o tempo perdido, afirma ela. A adoção de tecnologia, embora pareça agora mais cara, se torna bem mais econômica que os atuais métodos, explica Viviana. No caso das valas sépticas, ela lembra que além de comprometer para sempre uma vasta área, as prefeituras terão que investir muito dinheiro para fazer a vigilância. É como um material radioativo. O controle dá trabalho, custa muito caro e se estende pela eternidade.


