Cláudia Lopes
De Londrina
A estudante do curso de Estilismo em Moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Aparecida Suzuki, faz parte de um grupo de alunos que já atua no mercado de trabalho. A primeira turma do curso, criado em 1997, tem 18 pessoas e vai se formar no fim deste ano. A maioria está empregada, segundo a professora Cleusa Ribas Fornasier, vice-coordenadora do curso. A notícia é boa diante de um cenário de desemprego, quando a maior parte dos profissionais sai das universidades brasileiras com um ‘‘canudo na mão’’ mas sem vaga garantida.
O diferencial é que os alunos de estilismo da UEL estão participando de um processo de mudança no setor de confecções do Norte do Paraná. Os empresários começam a perceber que precisam investir no desenvolvimento de produtos, através da criação de uma moda com a ‘‘cara’’ da região.
‘‘Estou feliz com a minha primeira coleção, lançada no mês passado pela Dany’s Confecções’’, diz Aparecida Suzuki. Ela trabalha na empresa londrinense desde agosto passado. Por enquanto é estagiária e recebe um salário mensal de R$ 400, mas há grande a possibilidade de ser efetivada no cargo.
O diretor da indústria, Márcio Moraes, comemora o aumento nas vendas de janeiro, que quase atingiu a capacidade produtiva da Dany’s, de 30 mil peças/mês. ‘‘Foi um recorde. Vendemos mais de 26 mil peças no mês passado’’, disse. ‘‘Isso é resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido há dois anos, quando passamos a fabricar uma calça com estilo próprio’’. No mesmo período do ano passado, a Dany’s comercializou 17.270 peças.
Responsável pela contratação da estudante, Moraes resolveu investir em ‘‘sangue novo’’ depois de algumas experiências frustradas. ‘‘Chegamos a pagar uma fortuna para um estilista mineiro que ficava em hotel cinco estrelas mas que não satisfazia’’, contou. Fundada há 15 anos, a empresa tem 100 funcionários e fabrica calças jeans das marcas Dany’s, Catucci, Tom Blues e Bad Horse. O carro-chefe são os produtos da linha country, vendidos em seis estados brasileiros.
‘‘O consumidor exige cada vez mais qualidade, bom preço e roupas diferenciadas. É por isso que estamos apostando em criatividade’’, disse Moraes. Embora garanta que a criação de moda própria tenha agregado valor à produção, o diretor da Dany’s diz não saber mensurar os valores deste crescimento.
Segundo o consultor do Sebrae, Paulo Di Chiara, a produção de moda agrega cerca de 30% de valor às empresas. A professora Cleusa Fornasier acredita na criação de um pólo de moda na região de Londrina em um período de dez anos. Ela recebe cerca de dois telefonemas por semana de empresários de todo o Paraná interessados em estagiários do curso de Estilismo em Moda da UEL. Aliás, o curso foi criado por solicitação de empresários da cidade, através da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). A UEL já formou duas turmas de especialização em moda (curso com um ano de duração), com 55 profissionais.
‘‘No Paraná, ainda é pequeno o número de indústrias que trabalham com estilistas’’, diz Cleusa. Com as novas exigências mercadológicas, a professora acredita, porém, que a tendência é que haja um aumento na demanda por estes profissionais. A média salarial dos alunos do curso da UEL, depois de formados, deve variar de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil. Para trazer profissionais de São Paulo, os empresários gastam de R$ 5 mil a R$ 6 mil.
Quando se tornar um pólo de moda, a região deve recuperar a quantidade de fábricas fechadas nos últimos anos por conta da abertura do mercado nacional. Desde 1994, o número de empresas filiadas ao Sindicato da Indústria de Confecções de Londrina e Região (Sivepar) baixou de mil para 380.
‘‘Os empresários têm que entender que é preciso desenvolver estilo próprio em vez de apenas reproduzir a moda criada em outros centros’’, conclui a professora.Empresários investem na criação de produtos ‘‘com a cara do Estado’’ e apostam no talento de alunos de estilismo
CRIANDOA estudante do curso de Estilismo em Moda da Universidade Estadual de Londrina, Aparecida Suzuki, já garantiu lugar no mercado de trabalho