Moda como instrumento de inclusão
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segunda-feira, 07 de maio de 2012
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Arapongas - Ao falar em moda, é comum as pessoas pensarem apenas nas tendências de cores, texturas e modelagens que estão em alta no mercado ou que farão sucesso na próxima estação. O que muita gente não se dá conta é que esses mesmos conceitos que servem para valorizar a estética também podem ser usados para promover a inclusão social. As irmãs Andréia e Ângela Jesuíno, por exemplo, aplicaram os conhecimentos adquiridos no curso de Design de Moda para criar uma coleção de roupas adaptadas para crianças com paralisia cerebral.
Sem deixar de lado a preocupação com a estética, as irmãs, que são naturais de Arapongas (Norte), produziram roupas com zíperes, botões e tic tac extras. ''Usamos tecidos e cortes atuais para produzir as roupas. A única diferença é que elas têm aberturas estratégicas que facilitam o serviço dos cuidadores na hora da troca'', diz Andréia.
Ela conta que a ideia surgiu durante o curso de Tecnologia em Design de Moda, que fez na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Apucarana, juntamente com a irmã. ''Uma das disciplinas pedia que a gente criasse um projeto inovador. Eu estava sem nenhuma inspiração até que um dia recebi a visita de uma amiga que tem um filho com paralisia cerebral. No momento em que ela foi trocar as fraldas dele, percebi a enorme dificuldade que ela teve para tirar e colocar a roupa no menino e então sugeri criar peças adaptadas para facilitar esse processo.''
Decididas a se aprofundar no tema, as irmãs procuraram a Apae de Arapongas para conversar com outras mães que passavam pelo mesmo problemas. ''Acompanhamos a rotina delas para identificar quais adaptações seriam necessárias para facilitar a troca das roupas, quais tecidos seriam mais confortáveis e amarrotariam menos, pois as pessoas com paralisia cerebral ficam quase que o tempo todo em cadeira de roda, e qual estilo seria mais apropriado para essas pessoas'', explica Andréia.
Após meses de pesquisa e produção, as irmãs criaram dez peças adaptadas entre vestidos, bermudas, camisetas e camisas. A coleção foi lançada com direito a um desfile realizado em novembro, na sede da Apae de Arapongas. ''Seguimos um estilo casual para que as peças possam ser usadas no dia a dia. O desfile fez parte da apresentação do nosso Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), projeto que ganhou o nome de Desenvolvimento de Vestuário Adaptável para Portadores de Paralisia Cerebral. Graças a Deus fomos bem avaliadas, mas mesmo que tivéssemos tirado zero o trabalho teria valido a pena, pois recebemos diversos elogios e agradecimento das mães'', enfatiza Andréia.


