Mocós tem organização e regras próprias
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sábado, 02 de maio de 1998
Israel Reinstein 
Por causa de uma briga entre herdeiros, uma casa no Alto da XV se transformou em um mocó - conhecido como do Macaquinho. Nos seus sete cômodos vivem 17 pessoas, todas moradores de rua, alguns casados, que carregam os filhos de um lado para o outro. Os líderes do local são Macaquinho (Édno de Jesus Lima) e Ramón, que estabelecem regras e decidem quem pode ou não dormir no local.
Somos uma grande família, em que todos saem para trabalhar e voltam à noite. Como qualquer outra família normal, afirma Macaquinho. Cada pessoa tem seu próprio quarto, que deve manter limpo e em ordem. Temos de preservar o pouco que temos, para poder viver como gente, afirma.
Albari RosaMacaquinho é o líder do mocó: regras são rígidas e todos têm de contribuir para a comida e para a bebida, pois afinal, ninguém é de ferro
Segundo dados da Fundação de Assistência Social (FAS), existem cerca de 300 moradores de rua adultos em Curitiba, sendo que 250 são homens e o restante mulheres. A maioria é alcoolista e não tem nenhum vínculo familiar, diz a coordenadora da FAS-SOS, Cintia Koerich. De acordo com ela, entre as mulheres, todas tem comprometimento mental. Por isso é mais difícil fazer com que retornem para suas casas, mesmo porque suas famílias já não as querem mais, diz.
No mocó do Macaquinho, todos os dias, os moradores doam parte de sua renda para comida e também para a compra de bebidas. Afinal ninguém é de ferro, diz Macaquinho. Outra forma de conseguir comida é pegar as cestas básicas distribuídas pela prefeitura e algumas entidades assistenciais privadas. Nesta semana tenho de pegar mais duas para a casa, conta.
Hospedado no mocó, Roberto Carlos da Silva, 39 anos, chegou de Livramento (RS) com a mulher Cirene e três filhos. A família chegou a Curitiba há uma semana. Minha família trabalhava no Billy Barney Circus, mas foi demitida quando íamos cruzar a fronteira com o Uruguai, para uma turnê. Como minhas crianças não tinham documentos, fomos dispensados pelo patrão, conta Silva, que trabalhava como montador de barracas.
Agora, para viver, Roberto Carlos e sua família estão pedindo dinheiro na rua. Queremos ajuda para chegar a Pinhão (no sul do Estado), onde temos uma casa, diz. Ele conta que tem família em Curitiba, no bairro de Santa Felicidade. Mas tenho vergonha que eles me vejam como estou, diz.
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DesregradosMas nem todos os mocós apresentam a mesma organização. Na maioria, a sujeira e a destruição são pontos comuns. Às vezes é melhor dormir na rua, conta Rosimeri Rodrigues Santos, 19 anos, que mora num mocó da rua Presidente Faria.
Ela conta que existem muitas brigas por causa de drogas. Eu sou drogada, tenho casa, mas vivo na rua por causa do vício, diz. Mãe de uma criança de três anos, Rosimeri diz que a droga é o que a mantém distante da família.Alguns deles, como o do
Macaquinho, exigem limpeza e
conservação nos quartos
Albari RosaAbandonoA falta de uso causada por uma briga entre herdeiros acabou por permitir a instalação de um mocó nesta casa, no Alto da XV. Em sete cômodos, vivem 17 pessoas, que passam os dias nas ruasSomos uma grande
família. Como
qualquer outra,
normal


