Mocós sem solução preocupam moradores
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terça-feira, 10 de junho de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina Prédios públicos ou sob responsabilidade da administração municipal que estão desativados se tornaram problema de segurança pública e vigilância sanitária. Na Avenida Salgado Filho, (zona leste), 10 imóveis de uma quadra foram desapropriados para a ampliação do Aeroporto Governador José Richa, mas desde a saída dos moradores, há quase dois anos, as construções se tornaram mocós. Os prédios da Unidade Básica de Saúde da Vila Fraternidade (zona leste) e a Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) do Conjunto Maria Celina (zona norte), que deveriam ser estruturas à disposição dos moradores, também se tornaram sinônimos de dor de cabeça.
Nos três bairros, os moradores seguem indignados, mas parecem não acreditar mais em uma solução, diante da demora. Os moradores da Rua Jaime Americano, paralela à Salgado Filho, já tentaram por várias vezes pressionar a prefeitura para que as casas desapropriadas sejam demolidas, mas nenhuma das medidas surtiu efeito. Enquanto isso, eles têm que conviver com furtos, assaltos e o assédio dos "vizinhos indesejáveis" que buscam moeda de troca para mais uma pedra de crack.
A moradora Euzilma Silva Bonesi mandou instalar cerca elétrica na casa depois de ter celular, som do carro e até botijão de gás levados pelos ladrões. "Eles entravam aqui e levavam tudo. O primeiro a acordar se deparava com mais uma surpresa desagradável", contou. Durante o dia, apenas algumas roupas penduradas ao sol denunciam que os imóveis são usados como mocó. Mas a insegurança é grande mesmo durante a noite, relata Euzilma. "Qualquer barulho é de tirar o sono."
Caminhar no fim da tarde pelas ruas do bairro é uma atividade que Euzilma deixou de fazer. Depois que volta do serviço, ela fica em casa. "Quando chego com o carro, até a velocidade do portão elétrico ao fechar me dá agonia. Parece que alguém vai entrar", conta Euzilma. Segundo ela, vizinhos já foram vítimas de assalto. A maior preocupação é com os filhos, que chegam mais tarde. "Não aguento mais, é preciso demolir tudo isso logo", cobra.
Abaixo-assinado
A aposentada Conceição Fernandes disse que já mobilizou moradores com abaixo-assinado, fez reivindicações na prefeitura, em reuniões de bairro, mas nunca recebeu uma resposta satisfatória. O economista do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Rubens Bento, informou que esteve no bairro recentemente, com funcionários da Secretaria de Obras. Segundo ele, a demolição está em fase de licitação. "Há burocracia por necessitar de uma licitação, mas posso garantir que as demolições estão na lista de prioridades". No entanto, Bento disse que não há previsão para o início das obras.
O porta-voz da Polícia Militar, capitão Nelson Villa, ressaltou que as desapropriações acarretaram em maior atenção para a região por parte da PM. "A situação urbanística aumentou a demanda. Temos que fazer rondas pelo bairro para coibir situações mais graves decorrente da reunião de dependentes químicos", aponta. A maior dificuldade para as equipes da PM é encontrar os suspeitos. As casas são todas interligadas por buracos nas paredes.
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- Sem previsão para início das atividades


