No final da Avenida Jorge Casoni (Centro de Londrina), onde antes funcionava uma madeireira, hoje existe um local abandonado e destruído que serve de ponto de encontro para usuários de drogas. O prédio é um dos vários mocós espalhados pela cidade, que trazem medo e insegurança para os vizinhos.
As portas estão destruídas. Do lado de dentro, além do mato alto e dos pedaços de telhas e tijolos, o local está cheio de garrafas plásticas, pneus de bicicleta, sacos de lixos, restos de comida, roupas, pedaços de madeira e de ferro. O cheiro mostra que o imóvel serve também de banheiro. Enquanto o poder público faz campanhas para conscientizar a população dos cuidados para evitar a proliferação do mosquito da dengue, lugares como esse tornam-se um ambiente ideal para o Aedes aegypti.
Quem passa a pé prefere sempre o outro lado da rua. ''Eu passo por aqui todos os dias mas tenho muito medo. Acho que deveriam tomar alguma providência porque a gente nunca sabe o que pode sair daí de dentro'', comentou a aposentada Hanae Shionawa, que reside próximo ao local.
Não longe dali, na Rua Rio Grande do Norte, quase esquina com a Cuiabá (Centro), comerciantes e moradores reclamam da sensação de insegurança por causa de um terreno onde antes funcionava um depósito de papéis. O local, que também está sem portas, está sendo utilizado por andarilhos e usuários de drogas como depósito de lixo e ponto de encontros noturnos. Apesar do portão trancado, os moradores de rua pulam o muro e vivem lá dentro, de dia e de noite, em meio aos entulhos.
Um vigia que trabalha por perto e que preferiu não se identificar disse que é comum avistar menores andando com pedaços de pau e facas. Quando a reportagem da FOLHA se aproximou, o vigia alertou: ''Cuidado que eles ficam armados aí''. Segundo ele, os jovens se drogam em qualquer horário. ''Tem vezes que chega a reunir mais de 30 pessoas lá dentro. Ninguém consegue passar a pé por aqui, todo mundo tem medo. As lojas daqui de perto já foram todas roubadas. Essa semana mesmo tivemos que acionar uma viatura do Samu para atender um homem que estava passando mal de tanta droga que tinha consumido'', comentou.
Já na Zona Norte, no Jardim Nova Londrina, o problema é um barracão na Avenida José de Lima. A manicure Edimara Pereira, que mora na casa em frente, lembra que há menos de um mês uma vizinha foi roubada. ''Eles quebraram o muro, entraram e roubaram a casa quando não tinha ninguém. Depois, se escondem no barracão. Eu não tenho coragem de passar aqui perto de noite''.
Outra vizinha, Diene da Silva, disse que o mato que cresce no terreno é capinado pelo marido dela. Segundo ela, se isso não for feito, bichos como baratas, lesmas e até mesmo pequenas cobras invadem a casa. ''O responsável pela obra nem chegou a vir aqui falar com a gente. De noite não tenho coragem de abrir janelas nem portas, mesmo quando está calor. Eles brigam aí dentro, usam drogas e até ameaçam moradores. É um absurdo ter que conviver com essa situação''.

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