Marcelo AlmeidaNa casa de convivência, quem não tem para onde ir encontra acolhidaO sobrado era um ‘inferninho’ onde se podia comprar droga ou sexo. Quatro anos atrás, um grupo evangélico de Curitiba decidiu tomar o prédio do tráfico e da prostituição. Foi assim que começou o Projeto Redentor, uma iniciativa pelo resgate da auto-estima de gente miserável. ‘‘Trabalhamos para encontrar Jesus Cristo na pessoa do mais pobre’’, diz o coordenador dessa organização não-governamental, Cláudio Oliver, 35 anos.
Com um orçamento enxutíssimo - menos de R$ 4 mil -, o Projeto Redentor realiza 400 atendimentos por mês. ‘‘Dá R$ 11,00 por pessoa’’, diz o geógrafo Marcus Kreuzer, responsável pela engenharia financeira que aproveita ao máximo as doações mantenedoras do trabalho. ‘‘Temos mais de 40 voluntários, o que barateia nossos custos’’, explica. São eles que vão às ruas para abordar os miseráveis, do vagabundo clássico ao desempregado recente.
Na abordagem, as pessoas são convidadas a conhecer a casa de convivência na Praça do Gaúcho (bairro São Francisco) e tomar café da manhã aos domingos. Quem tiver vontade de recuperar a dignidade, entra para o Projeto Redentor. Foi o que aconteceu com José Antônio Araújo de Mello, 36 anos, ex-viciado em maconha, LSD (ácido lisérgico) e álcool. ‘‘Aqui fui tratado com respeito, não como um coitado’’, diz, hoje mais próximo de retomar o contato com a mulher e as duas filhas.
Araújo recebe assistência psicológica e psiquiátrica, além de aconselhamento espiritual. ‘‘Jesus ainda vai me libertar por completo’’, acredita, na esperança de voltar para a família que deixou há nove anos.
Marcelo de Souza, 19 anos, também encontrou no Projeto Redentor o apoio para largar o consumo de crack (resíduo de cocaína). ‘‘Não tinha nem documento e agora já estou aprendendo a ler e escrever’’, diz, emocionado.
As histórias de recuperação são muitas. Os responsáveis pelo Projeto Redentor esperam que elas continuem. Para isso, eles pedem a colaboração da comunidade. Os interessados podem depositar qualquer quantia na agência 0369 da Caixa Econômica Federal, conta nº 003898-0. ‘‘Nós fazemos apenas o que o velho e bom cristianismo tem feito há 2 mil anos, mas sem perder uma visão crítica da realidade social’’, diz Oliver, ao definir a função de seu ‘‘mocó santo’’. (D.J.)

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