Considerado um dos mais antigos de Londrina, o mocó da Rua Duque de Caxias (área central) é motivo de polêmica e preocupação para a vizinhança. Segundo moradores das redondezas e do próprio mocó, atualmente, cerca de dez pessoas, entre adultos e adolescentes, dormem no local, bastante sujo e cheio de entulhos.
A reportagem esteve no local e conversou com E., um adolescente de 14 anos, que contou estar morando no mocó há um mês. Segundo ele, sua família mora no Jardim Pindorama (zona leste). ‘‘Não passamos fome porque os vizinhos acabam dando comida pra gente’’, afirmou.
Maria Lucia Barbosa, proprietária de um prédio residencial e comercial localizado em frente ao mocó, lembrou que há três anos uma pessoa foi assassinada na calçada. ‘‘Ficamos assustados e junto com alguns vizinhos organizamos um abaixo-assinado para que a prefeitura autorizasse a demolição do prédio abandonado, que foi parcialmente feita’’, contou. Outro problema apontado por ela é a desvaloriazação do imóvel: ‘‘Até abaixamos o preço do aluguel para atrair inquilinos’’, disse Maria Lucia, dona do imóvel há 40 anos.
Há cerca de um mês, uma inquilina do prédio teve suas compras roubadas, logo que chegou do supermercado. ‘‘Eles levaram tudo. A polícia veio, prendeu o suspeito, mas parece que ele acabou fugindo’’, comenta Loide Ribeiro Lima, filha da vítima.
A secretária municipal de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, disse que em setembro do ano passado foi encaminhado um processo para a Procuradoria Geral do Município, para que o mocó fosse demolido completamente. Ela informou que já tem laudos favoráveis da secretaria de Obras e da Vigilância Sanitária. Mas acrescentou que em parecer emitido no dia 6, a procuradoria informou que ainda falta notificar oficialmente o proprietário do imóvel antes de efetuar ação judicial para a demolição. Segundo ela, a notificação deve ocorrer nos próximos dias pela secretaria de Governo.
Maria Luiza também informou que no ano passado 36 mocós foram desativados na cidade e que a abordagem, que tenta encaminhar pessoas em situação de risco para casas-abrigos e tratamentos de desintoxicação, é feita semanalmente. ‘‘Não doamos comida porque achamos que isso é uma forma de reforçar essa situação de risco’’, observou a secretária.

mockup