Montar o próprio roteiro de viagem. Poder optar por ficar em hotéis ou em albergues, conversar com moradores locais, visitar novamente os pontos que mais chamaram a atenção e tudo isso sem ter que seguir uma programação estipulada por um guia turístico. As viagens estilo mochilão já encantam jovens de todo o mundo e, de acordo com agências de turismo, têm despertado também o interesse dos aposentados nos últimos anos. Idosos ou não que, desfrutando de mais tempo e sem tantas obrigações, decidem se aventurar na viagem dos sonhos.
''Eu ficava deslumbrada com os cenários que via nos filmes. A possibilidade de passear por aquelas ruas históricas da Europa me fascinava desde muito nova, mas o trabalho tomava todo o meu tempo. Até que em 2004 eu me aposentei e passei a me dedicar mais as viagens'', conta a professora de História, Jane Machado, 58 anos, que enfim pôde visitar os cenários de tantos fatos históricos dos quais, por tantos anos, discorria para seus alunos.
O primeiro mochilão de Jane foi realizado ao lado da filha Mariana, em janeiro deste ano. As duas passaram cerca de 20 dias viajando por cidades de todo o Leste Europeu, seguindo um roteiro que elas elaboraram. ''Saímos de Londrina somente com as passagens de avião e trem compradas e as reservas em alguns hotéis'', conta Jane, enfatizando que mãe e filha estudaram as peculiaridades de cada cidade.
''Não queríamos nada com muito compromisso, um roteiro fixo com horário para tudo. Queríamos liberdade para poder andar pelas ruazinhas, conversar com os moradores locais, conhecer um pouco da cultura, do modo de viver de cada região'', salienta a professora.
Jane detalha que o mochilão teve início em Bruxelas, capital da Bégica. De lá as duas partiram para Brujes, cidade próxima à Bruxelas, depois visitaram Amsterdam (Holanda), em seguida Colonia (Alemanha), Frankfurt (Alemanha), Munique (Alemanha), Praga (República Tcheca), Viena (Áustria), finalizando na casa de alguns amigos na Suíça. ''Depois acabei me separando da filha filha que voltou para Londres (Inglaterra) e eu fui para Paris (França) antes de retornar ao Brasil'', explica a aventureira que diz ter optado por visitar cidades próximas, em que mãe e filha pudessem fazer a maior parte das viagens de trem.
Jane conta que a dupla permanecia cerca de dois dias em cada cidade, sempre acordando cedinho, mesmo com o frio intenso, para aproveitar cada minuto da viagem. ''Pela manhã, tomávamos um café bem reforçado no hotel e só voltávamos de noitinha, quando jantávamos, geralmente, um lanchinho'', lembra.
Questionada sobre a cidade que a conquistou, Jane menciona sorridente a cidade de Praga, devido à arquitetura e todo o contexto histórico que a envolve. ''Sabe aquela cidade que não dá vontade de fechar os olhos nem um minuto para não perder nada? Assim é praga, fascinante'', diz, lembrando que durante a viagem tiveram a oportunidade de visitar um cemitério judeu do século XIII.
Sobre os desafios que encontraram pelo caminho, a professora de História responde: ''Durante esses quase 20 dias de viagem não vivemos nenhuma situação de estresse. É claro que na República Tcheca a gente encontra uma certa dificuldade, porque eles utilizam muito um dialeto local e nem todos sabem inglês, mas no viramos bem'', resume, enfatizando que acredita ser essas pequenas dificuldades que também tornam o mochilão mais atraente.

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