Um acidente há seis anos deixou Sonia Maria Cardoso, 28 anos, com sequelas graves que hoje lhe impossibilitam de levar uma vida normal. Além de ter ficado com deficiência na fala - ela respira através de traqueostomia - a moça passou a sofrer de obesidade mórbida, pesando atualmente 145 quilos - 87 quilos a mais do que antes do acidente. Em razão disso tudo, um dos maiores entraves enfrentados por ela, que mora no bairro Aquiles Stenguel (Zona Norte), é a locomoção. Sem conseguir andar mais que uma quadra, Sônia depende exclusivamente do transporte coletivo para ir ao médico, dentista, fisioterapia, psicóloga e até na igreja.
Ela recebe uma cota de 35 passes fornecidos mesalmente pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), mas diz que essa quantidade é pouca para todos os afazeres. ''Até pouco tempo atrás, a CMTU me dava carteirinha de passe livre total, mas agora está fornecendo só 35 e com isso não consigo ir para todos os lugares'', argumenta Sônia, que foi atropelada na calçada por uma moto quando voltava do colégio no dia 29 de abril de 1999. Desenganada pelos médicos, ela permaneceu por dois meses em coma. ''Um mês ela ficou no hospital e o outro em casa. Os médicos diziam que ela não sobreviveria ou ficaria com problemas mentais ou paralítica'', conta a mãe Maria de Lourdes Cardoso, que compartilha todo drama com a filha.
O acidente interrompeu uma vida normal. Sônia estudava no supletivo, trabalhava de vendedora, tinha um noivo, amigos. ''Depois disso acabou tudo, não tenho condições de estudar e trabalhar e até o noivo se foi'', conta ela, apesar de tudo, com um certo bom humor. O que mais tem preocupado Sônia atualmente é o fato de não poder trabalhar e ter que depender dos passes fornecidos pela CMTU para se locomover. ''Não sei porque trocaram minha carteirinha. Desde o acidente não melhorei, pelo contrário estou com os mesmos problemas precisando fazer inclusive uma segunda cirurgia de redução de estômago, então por que estipular o número de passes? questiona ela incoformada.
''Só no posto de saúde ela vai três vezes por semana buscar um produto usado para aspirar a traqueostomia'', relata a mãe. ''As pessoas acham que eu posso andar, mas não consigo mais do que uma quadra. Estou respirando pela garganta, isso me cansa muito'', complementa a moça, mostrando uma foto tirada um mês antes do acidente, onde estava 87 quilos mais magra. Há dois anos, ela passou por uma cirurgia de redução do estômago, na qual conseguiu emagrecer somente 20 quilos. ''Depois, fiquei nervosa e recuperei tudo de novo. Estou mais gorda. Preciso fazer nova cirurgia e emagrecer para tentar tirar a traqueostomia. Isso me incomoda muito'', disse Sônia que aguarda na fila de obesos uma vaga para fazer nova cirurgia no Hospital Universitário.

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