Mobilização tenta atrair mais cursos
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sábado, 12 de abril de 1997
Sid Sauer Correspondente 
Sid SauerLonga esperaDiretora do Colégio Integrado, Cleusa Yarussek: Luta para transformar o colégio em universidade já dura quatro anos porque esbarramos na burocracia do governo CAMPO MOURÃO - Cansamos de pedir. Agora vamos exigir. A frase do presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam), Marcos Antônio Corpa, mostra bem como anda o clima no município na expectativa de receber novos cursos superiores. No início do mês, um encontro na sede da Acicam reuniu 42 entidades preocupadas com a burocracia que vem dificultando a implantação dos cursos reivindicados pela Faculdade Estadual de Ciências e Letras (Fecilcam) e por um grupo privado do setor de educação.
A mobilização na Acicam resultou na formação de uma comissão que vai percorrer os 25 municípios da microrregião em busca de apoio. Paralelamente, a Agência de Desenvolvimento Cidade Pólo, criada no início do ano através de um convênio entre Prefeitura e Associação Comercial, trabalha visando a motivação do projeto. O coordenador da agência, o professor universitário Jacó Gimenes, por exemplo, já chegou a propor a idéia para formação de um consórcio intermunicipal visando o fortalecimento da Fecilcam.
A faculdade de Campo Mourão conta atualmente com seis cursos (Letras, Geografia, Peadagogia, Contabilidade, Economia e Administração de Empresas), mas luta há mais de dois anos para ganhar pelo menos mais dois cursos: Matemática e Engenharia Agroindustrial. Este último é uma espécie de ponto de honra da instituição. É que o curso existe hoje apenas na Universidade de São Carlos (SP) e seria o primeiro de período integral da Fecilcam. Além disso, ele é considerado estratégico para firmar a cidade como pólo de alimentos do Estado.
Parceria A diretora da Fecilcam, Sinclair Pozza Casemiro, diz que o curso pode ser aprovado ainda este ano. Para isso, no entanto, será preciso a construção de um laboratório orçado em R$ 300 mil e poucos acreditam que o governo do Estado invista na obra.
A esperança fica por conta de uma proposta do prefeito Tauillo Tezelli (PSDB). Ele pensa numa parceira entre a Prefeitura de Campo Mourão, prefeituras da região e a comunidade organizada. Cada uma entraria com R$ 100 mil. Novos cursos são fundamentais para a região, ressalta.
Uma das principais metas do movimento é transformar a Fecilcam na Universidade Regional do Centro-Oeste. Para viabilizar os novos cursos, a instituição vem mantendo desde o ano passado 10 cursos de pós-graduação. Pelos menos outros seis devem começar ainda este ano. Um dos objetivos é preparar professores para os eventuais cursos abertos. A comissão que parte para a ofensiva em busca dos novos cursos é formada por dois vereadores, um professor, um empresário, um advogado e até por um padre (Ademar Lins).
No Colégio Integrado, a luta por cursos superiores não esbarra na falta de dinheiro, mas na burocracia do governo. O grupo, formado por 44 empresários e agropecuaristas de Campo Mourão, espera desde 93 um pedido para a abertura de 11 cursos superiores. Os dois primeiros pedidos protocolados no Ministério da Educação (Direito e Processamento de Dados) tinham previsão para começar a funcionar em 95, mas continuam aguardando autorização. Vamos prosseguir com a luta, diz a diretora do colégio, Cleusa Yarussek.
Prestígio Os outros nove cursos reivindicados pelo Integrado (Engenharia Elétrica, Psicologia, Farmácia, Veterinária, Comércio Exterior, Matemática, Ciência da Computação, Agronomia e Relações Internacionais) também estão na mesma situação. Nem o prestígio do ex-prefeito Rubens Bueno (PSDB) com o governo Federal acelerou o processo do Integrado. Os pedidos foram feitos em Campo Mourão, durante visita do ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, e também em audiências em Brasília. Os resultados práticos, entretanto, não apareceram.
A esperança do grupo agora fica para 98, mas o estabelecimento não se arrisca mais a prever o funcionamento do ensino superior. Mesmo assim, o grupo iniciou um investimento de R$ 1 milhão na ampliação do colégio, já se preparando para o futuro Centro Integrado de Ensino Superior (CIES), que quer atrair cerca de 6 mil alunos. Se a liberação do MEC chegasse hoje, no entanto, o estabelecimento já teria estrutura para começar atendendo pelo menos três cursos. É que o prédio atual tem 20 salas de aula ociosas.


