Mobilização em Londrina é mantida com chuva e frio
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quarta-feira, 16 de maio de 2001
Telma Elorza De Londrina 
Nem a chuva forte e constante que caiu durante a madrugada e o dia de ontem conseguiu desmobilizar o movimento das mulheres de policiais militares, que bloqueiam a entrada do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) em Londrina desde anteontem. Cerca de 50 mulheres da Associação de Esposas de PMs passaram a noite em frente ao quartel e prometem que não vão deixar o local até que o governo estadual garanta o pagamento da gratificação PM especial a todos os policiais militares.
A mobilização foi acompanhada durante toda a noite por vários maridos PMs, que foram ao local para dar segurança às mulheres. Ninguém vai tirar elas daqui na marra. Elas só sairão quando quiserem, garantiu um dos PMs, que preferiu não se identificar, afirmando que estão dispostos a tudo. Ai de quem tentar encostar a mão nelas. Vai correr sangue, ameaçou. Segundo ele, a insatisfação dos militares chegou a um ponto intolerável. Ninguém tem mais medo de nada. E se esse governo fosse sensível e preocupado com o povo, não teria deixado chegar a esta situação, disse.
A preocupação dos maridos foi reforçada pelos boatos que correram durante a madrugada. Havia comentários de que o Tiro de Guerra de Londrina e o 15º BPM de Rolândia teriam sido acionados pelo comando-geral da PM para desfazer os piquetes em Londrina. Mas um oficial (que também pediu para não ser identificado), mantido no quartel desde o início do bloqueio, informou que nenhuma medida do tipo foi tomada. O comando não é louco de fazer isso. Principalmente porque sabe que o movimento é justíssimo, embora tenha que seguir as orientações do governo, disse.
Para ele, a radicalização nos protestos das esposas é consequência do descaso das autoridades. Elas foram nada menos que 19 vezes até Curitiba conversar com os secretários e o comando-geral. Sempre prometeram atendê-las e não cumpriram. Isso, na minha opinião, é humilhação demais, apontou. Segundo ele, uma das últimas conversas aconteceu às vésperas da reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi. Elas iam fazer um protesto gigante que poderia prejudicar a reeleição do Taniguchi. Eles foram lá e prometeram que, em fevereiro, tudo seria resolvido. A eleição veio, passou e até agora nada, comentou.
O Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina está preocupado com a situação de pelo menos cinco policiais que desde as 11h30 de segunda-feira estão retidos no 5º Batalhão. Eles estão prestando serviços no Copom, que atende as chamadas do 190. Do grupo, quase todos são funcionários deslocados de outros setores, até mesmo da Tropa de Choque. Apenas 18 pessoas (o normal é 50) estão trabalhando no quartel.
Segundo informações passadas pelo major Manoel da Cruz Neto, subcomandante do batalhão, ao integrante do CDH, Jorge Custódio Ferreira, os policiais se revezam na função. Para o major, os policiais não podem abandonar o posto, sob pena de serem considerados indisciplinados. (Colaborou Lúcio Flávio Moura)


