Mobilização da sociedade é fundamental
Londrina - Tombamentos e listagem não são armas únicas na batalha pela preservação. A conservação dos bens culturais passa, necessariamente, pela mobilização da sociedade em torno do tema. A opinião é compartilhada por dois especialistas ouvidos pela FOLHA, Jeferson Dantas Navolar, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) do Paraná e mestre na área de Conservação e Restauro; e o doutor em História, o professor da UniFil, Leandro Magalhães, coordenador do projeto Educação Patrimonial desde 2007.
"Vivemos em uma era e em um país que o privado está acima do público, onde o mercado vive instigando a demolição. O espaço público tem que estar submetido a um controle social", analisa Navolar. "Quando uma cidade faz 80 anos ou qualquer outra data emblemática, é um momento muito oportuno de se discutir a qualidade de vida a partir do espaço público, do que se deve preservar, não são só as construções, mas a própria identidade cultural da comunidade."
"A mobilização é a melhor defesa do patrimônio cultural, até mais importante que a própria legislação. No caso do Cadeião, por exemplo, a sociedade londrinense deu um exemplo de como resistir e defender um bem público com valor histórico", lembra Magalhães, referindo-se ao episódio ocorrido no dia 28 de março de 1994, quando manisfestantes impediram na última hora a demolição da antiga cadeia pública, prédio que está sendo reformado e onde funcionará um centro cultural. "O exemplo negativo foi a forma como ocorreu a reforma do Calçadão, cujas formas faziam parte da nossa identidade e que desapareceram sem antes haver uma discussão mais ampla."
O arquiteto Humberto Yamaki, autor do inventário que baseou a listagem dos bens históricos da cidade, concorda que o envolvimento do cidadão é tão importante quanto a legislação. "Os 80 anos parecem ser um momento chave para discutir a importância do patrimônio histórico no cotidiano do cidadão", afirma.
Vanda de Moraes lembra que a DPAHC aposta no trabalho de educação patrimonial para manter a sociedade atenta à causa. (L.F.M.)





