Curitiba - "Você sabe que hoje é o Dia Mundial de Prevenção à Gravidez na Adolescência?", perguntava a jovem Kenya Chihaya, 26 anos, para as adolescentes que passavam, ontem, pelo centro de Curitiba. Uma mobilização realizada por organizações não-governamentais (ONG’s) e sociedades médicas internacionais alertou adolescentes do sexo feminino de várias cidades do mundo para a importância do planejamento familiar e a utilização de métodos contraceptivos.
Kenya sabe muito bem o que é ser uma mãe adolescente. Ela engravidou aos 15 anos e seu filho Matheus nasceu quando ela tinha apenas 16. "É uma fase nova. Tem a nova experiência, o medo, as dificuldades, as mudanças no corpo. Todo mundo está seguindo por um caminho e você por outro. Mas, temos nove meses para aprender e aceitar a situação", disse a jovem. "Agora, você não está mais sozinha, tem sempre alguém junto com você", completou.
O namorado, na época, era um rapaz de 26 anos, que, segundo Kenya, não deu o apoio necessário a ela e conviveu muito pouco com o filho. O apoio veio da família, principalmente, da mãe, já que o pai demorou algum tempo para aceitar a situação. A ajuda dos familiares e amigos fez com que ela ficasse fora da escola por apenas um mês, o que não acontece com várias adolescentes.
Um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) -realizado com mais de 10 mil jovens com idades entre 15 e 17 anos- mostra que 56% dos adolescentes que abandonaram a escola eram meninas. Entre elas, um quarto abandonou os estudos por causa da gravidez.
Kenya admite que, no seu caso, a gravidez não aconteceu por falta de informação. "Sempre tive um relacionamento muito aberto com a minha mãe. Foi um descuido. É quando a menina quer ser mais velha, mais experiente, mas isso mostra que não estamos tão preparadas. Seria melhor se fosse agora, com mais preparação".
Além de Kenya, 20 jovens participaram da mobilização nas ruas de Curitiba, que também foi realizada em mais de 70 países da Europa, Ásia e América Latina. No Brasil, a mobilização aconteceu em municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Bahia. As adolescentes receberam materiais com informações sobre gravidez e métodos contraceptivos."Poucas meninas se interessam, perguntam, vêm atrás. Mas a gente pergunta, sabe que dia é hoje? Leia, informe-se e passe a informação adiante", aconselhou Kenya.

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