Mobilidade em baixa
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terça-feira, 08 de setembro de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local
A empregada doméstica Marilene Ferreira de Carvalho, de 47 anos, e o jogador de futebol Pedro Afonso de Paulo Moraes, de 17, passam horas dentro de um ônibus para se deslocar entre a casa e o trabalho todos os dias. Essa também é a realidade de milhares de pessoas que usam o transporte público. Londrina ficou acima da média nacional na categoria infraestrutura urbana no Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O IVS dialoga com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), levando em consideração o capital humano, renda e trabalho e infraestrutura urbana. Foram analisados dados dos Censos de 2000 e 2010 para tabulação dos resultados. Londrina, com IVS de 0,255, ficou na 176ª posição no Estado em 2010, acima do índice nacional que foi de 0,326. No entanto, quando é levado em consideração o indicador de infraestrutura urbana, a cidade fica para trás. O nacional em 2010 foi de 0,395 e o de Londrina 0,321. Quanto mais próximo de zero, menor a vulnerabilidade social.
O que chama a atenção é o percentual de pessoas vulneráveis que gastam mais de uma hora para chegar até o trabalho. Enquanto o percentual nacional foi de 10,33%, Londrina registrou 13,83%, mas ainda está na frente de grandes cidades como Curitiba (19,33%) e Joinville (14,71%).
Marilene de Carvalho perde quase duas horas do seu dia com o deslocamento de casa para o trabalho e vice-versa. Ela mora no Jardim João Turquino, na zona oeste, e trabalha no centro. Dependendo do horário em que chega ao Terminal Urbano no centro da cidade, ela consegue pegar a linha que passa perto de casa, senão o jeito é enfrentar dois ônibus até o destino final. "De manhã (para ir para o trabalho) costuma ser mais rápido. Mas na volta, às vezes, fico esperando um tempão no terminal", conta Marilene.
Além da demora, ela também reclama da lotação do coletivo. "O horário depois das 17 horas é sempre lotado. E se pensar bem, a gente sai do serviço mais cedo para tentar chegar mais cedo em casa e isso não acontece, porque às vezes, o ônibus atrasa."
Ela acredita se deslocaria mais rápido se utilizasse uma bicicleta ou motocicleta. "Pena que não sei andar de bicicleta e nem de moto, mas meu marido usa muito a moto para ir trabalhar. Além de ser mais rápido, não gasta tanta gasolina", diz.
Pedro Moraes precisa calcular bem seus horários para não esperar muito tempo nos terminais. Morador de Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), ele usa três coletivos para ir treinar no Jardim Ideal, na zona leste de Londrina. "Eu pego um ônibus de Tamarana até Irerê, outro até o centro e por último até o Ideal. Dá quase 40 minutos de viagem e uns 20 de espera nos terminais", revela Moraes.
De acordo com a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Ignês Dequech, o resultado do indicador de infraestrutura urbana do IVS está ligado ao longo período em que a cidade ficou sem investimentos na área de mobilidade. "Há muito não se investia em mobilidade e não dá para fazer sem critérios", afirma Ignês.
Para melhorar este quesito, a Prefeitura trabalha em duas frentes: implantação da rede cicloviária e o projeto SuperBus. A intenção é implantar inicialmente 40 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas; por enquanto foram instalados quatro pontos, na região central.
Essa rede cicloviária deve se interligar com as ciclovias do projeto SuperBus. O projeto, previsto no Plano de Mobilidade Urbana de Londrina, foi aprovado pelo Ministério das Cidades e está orçado em R$ 146,705 milhões. O município tem até janeiro do ano que vem para entregar os projetos finais do SuperBus. Segundo a presidente do Ippul, as obras devem iniciar até março de 2016 e serem concluídas até o final de 2018, quando vence o contrato de concessão do serviço de transporte urbano. "A empresa que vencer a concessão já terá que prever operação com o SuperBus", enfatiza Ignês.
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