Mitos envolvendo a Aids levam à imprudência
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Diego Ribeiro e Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Dois mitos sobre o vírus do HIV e a forma de transmissão da doença podem ser os motivos de algumas pessoas agirem com imprudência. Há a impressão de que a doença estaria controlada e que os homens não contrairiam o vírus ao ter relações sexuais na posição de ativos. Reportagem da FOLHA publicada no domingo aponta que, em plena era da informação, homens ainda procuram prostitutas para transar sem preservativo. E muitas delas aceitam.
A presidente da ONG Liberdade, Carmem Costa, conta que, mesmo com todo o trabalho de orientação junto às prostitutas, a mudança de comportamento é muito difícil. Apesar de bem amparados com orientações e insumos - camisinhas que são distribuídas por ONGs ou por órgãos oficiais - esses homens e mulheres decidem arriscar a própria saúde e também a de outras pessoas, como esposas, maridos ou parceiros.
De acordo com Alceu Fontana Pacheco, presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia e diretor de saúde coletiva da Associação Médica do Paraná, a Aids deve ser encarada como fatal. ''É uma falsa impressão. De fato, o vírus pode ser 'controlado', mas apenas para as pessoas que tomam o coquetel de forma extremamente disciplinada'', afirma.
O outro mito é que homens não contrairiam o vírus ao ter relações sexuais desprotegidas com mulheres ou homens, na posição de ativos. Segundo Pacheco, quando existe a troca de fluidos corporais, seja o esperma ou a secreção vaginal, há transmissão do vírus. ''Quanto mais houver o contato sem proteção, maior o risco. Há casos de casais em que um é portador do vírus e o outro não, mesmo tendo relações sem preservativo. Podemos dizer que é uma questão até de sorte já que, com um único contato, pode haver a transmissão. Também há contaminação pelo sexo oral'', explica. Outra informação que deve ser levada em conta é que quando um dos parceiros tem outra doença sexualmente transmissível (DST) o risco de contrair o HIV é dobrado.
Algumas pessoas, após infectadas, deixam de usar preservativos com parceiros soropositivos. Essa prática também implica em risco para a saúde de ambos, já que são conhecidos vários subtipos do vírus HIV que podem criar resistência a certas doses dos medicamentos.
Conhecendo todos esses fatores e riscos, Pacheco considera como patológica a pessoa que se arrisca em práticas como sexo desprotegido com garotas de programa ou jogos sexuais sem conhecimento do parceiro. A mesma avaliação faz a psicóloga Marilandes Ribeiro Braga, membro da Sociedade Brasileira de Estudos da Sexualidade.
''Só posso considerar como desequilibrada a pessoa que se expõe a esse risco. E ainda por cima, muitos correm o risco por ele e pela esposa. Se a pessoa tem esse desequilíbrio, ela com certeza não vai parar, vai seguir contaminando outras pessoas'', explica.
Para a psicóloga, o sexo sem camisinha com uma pessoa sem a certeza de que seria ou não portadora de Aids nada tem a ver com o prazer da relação, mas puramente pelo desejo de viver perigosamente. ''Já a garota de programa que se submete a essa situação, só posso imaginar que é porque realmente precisa daquele dinheiro. Ela, muitas vezes, acaba colocando o bem-estar da família ou os filhos antes de si própria'', comenta Marilandes.
A especialista menciona uma outra situação onde pessoas arriscam a saúde. ''Ouço muitos casos de jovens que transam sem camisinha justificando não terem se preparado para o momento por ter 'pintado o clima'. Nesse caso, não acredito que seja por desequilíbrio, é falta de juízo mesmo'', conclui.


