Mitos envolvem prevenção da LER
Maigue Gueths
De Curitiba
Sentar em cadeiras com encosto de 90 graus em relação às pernas, utilizar equipamentos como o teclado ergonômico e descanso para o pulso são alguns dos mitos de prevenção às doenças ocupacionais causadas por movimentos repetitivos no uso do computador derrubados pelo norte-americano Alan Hedge. Hedge esteve ontem, em Curitiba, onde proferiu a palestra Prevenção da Infodort Novas pesquisas e resultados para médicos do trabalho.
Hedge, que é diretor do Laboratório de Fatores Humanos e Ergonomia e do Departamento de Design e Análise Ambiental da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, foi enfático ao afirmar que a prevenção às Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (Dort), também chamadas de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) não dependem do uso desses aparelhos. A melhor prevenção, segundo ele, continua sendo a correta posição do computador, a postura do usuário, as pausas durante o trabalho e exercícios de alongamento.
Ao contrário do que sempre se apregoou como métodos saudáveis para o trabalho, estudos da Universidade de Cornell trazem algumas surpresas. O usuário tem que estar em uma posição confortável, que mostre o maior relaxamento possível do corpo, disse o estudioso. O encosto da cadeira, por exemplo, deve ter uma pequena reclinação de 110%. O teclado também deve ter uma inclinação de 10% para baixo na direção oposta ao corpo. O teclado ergonômico, segundo ele, não é recomendado, pois corrige a posição para o pulso, mas traz prejuízos ao cotovelo e ombro.
Outro trabalho que vem sendo desenvolvido pelo laboratório comandado por Hedge refere-se à ergonomia para as crianças que usam computadores. Embora a Dort seja uma doença cumulativa, com o uso intensivo da informática pelas crianças, é cada vez maior o número de adolescentes que se queixam de seus sintomas. Por isso, a Universidade de Cornell já está fazendo testes e investigações para mudar os mobiliários nas escolas dos Estados Unidos.





