Mitos e verdades sobre a febre amarela
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sexta-feira, 03 de fevereiro de 2017
Reportagem Local 

Brasília - Desde o início dos casos de febre amarela no país, muitas informações foram passadas sobre a doença, mas é importante que a população busque fontes seguras e oficiais sobre o assunto. Para esclarecer a população, o Ministério da Saúde selecionou algumas afirmações que circulam na internet.
Todos os casos notificados nos últimos meses são de febre amarela silvestre.
VERDADEIRO. Existem dois ciclos de transmissão da doença. O silvestre, quando a doença é transmitida pela picada dos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Nesse ciclo os principais hospedeiros são os primatas não humanos (macacos) que habitam as florestas tropicais. Seres humanos podem adquirir o vírus esporadicamente quando residem ou adentram na mata para trabalho ou turismo e são picados por um mosquito silvestre infectado. O urbano, quando a transmissão se dá pela picada do Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, zika e chikungunya. O último caso de febre amarela urbana no Brasil ocorreu em 1942, no Acre.
O Ministério da Saúde reforça que todos os casos notificados até o presente momento são classificados no ciclo silvestre de transmissão e que o risco de reurbanização da febre amarela é muito baixo. Para que se instale um ciclo urbano de transmissão da febre amarela, baseado no histórico das últimas epidemias registradas na África, são necessários índices de infestação do Aedes aegypti muito elevados (acima de 50%) e pelos levantamentos realizados no final de 2016, 63% dos municípios que realizaram o levantamento apresentaram índices abaixo de 1%, considerado resultado satisfatório, de acordo com os parâmetros internacionais. Somente 8,6% dos municípios apresentaram índices acima de 4%, o que não indica risco de epidemia para febre amarela.
Se não moro na área de recomendação da vacina ou não vou me dirigir a essas áreas não preciso me vacinar.
CORRETO. A recomendação para a vacinação é direcionada as pessoas que residem ou vão se deslocar para as áreas com recomendação para vacinação e áreas com recomendação temporária para vacinação. Atualmente, as áreas com recomendação para vacinação correspondem a 3.570 municípios e as áreas com recomendação temporária para vacinação são os municípios dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia que fazem divisa com Minas Gerais.
Nenhuma grávida deve ser vacinada contra febre amarela.
MITO. A vacinação não está indicada às gestantes. No entanto, na ocorrência de surtos da doença, epidemias ou viagem para área com risco de contrair a doença, a grávida deverá ser avaliada pelo serviço de saúde, considerando o risco benefício da vacinação.
Mulheres que estão amamentando não devem se vacinadas contra febre amarela.
MITO. As mulheres que estão amamentando bebês maiores de 6 meses de idade poderão ser vacinadas se residirem ou vão se deslocar para as áreas com recomendação para vacinação e áreas com recomendação temporária para vacinação. A vacinação está contra indicada para mulheres que estão amamentando bebês menores de 6 meses de idade. Na impossibilidade de adiar a vacinação, na possibilidade de surtos, epidemias ou viagem para área com risco contrair a doença, deve apresentar a mãe opções para evitar o risco de transmissão do vírus vacinal pelo aleitamento materno, tais como: previamente a vacinação praticar a ordenha do leite e manter congelado por 28 dias em freezer ou congelador, para planejamento de uso durante o período da viremia, ou seja, por 28 dias ou, pelo menos 15 dias após a vacinação.
Para as mulheres que estão amamentando e residem em outras localidades que NÃO estão sob o risco de transmissão da doença, a vacinação contra a febre amarela deve ser evitada, ou adiada até a criança completar 6 meses de idade.
Tenho alergia ao ovo e mesmo assim, posso receber a vacina febre amarela.
VERDADE. As pessoas com história de alergia comprovada ao ovo e seus derivados, gelatina bovina ou a outras, podem receber a vacina febre amarela após avaliação médica. Nesta situação a pessoa deve recebê-la em ambiente com condições de atendimento de reações anafiláticas.
Preciso tomar a vacina a cada 10 anos.
MITO. É importante informar que o Calendário Nacional de Vacinação mudou. Até 2014, a recomendação era que o indivíduo deveria ser vacinado de 10 em 10 anos. No entanto, os estudos demonstraram que duas doses são o suficiente para a proteção do indivíduo, não havendo mais a necessidade de se fazer mais que um reforço ao longo da vida.
Mesmo tendo tomado as duas doses, tenho o risco de pegar a doença.
MITO. Se a pessoa está com a Caderneta de Vacinação em dia, conforme as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação, ela está protegida contra a doença, não havendo necessidade de doses adicionais da vacina, mesmo na ocorrência de surtos ou epizootias (morte de macacos).
Corro mais risco de pegar a febre amarela em um lugar lotado, como durante o carnaval, já que pessoas podem estar infectadas ao meu redor.
MITO. A febre amarela não é transmitida de pessoa a pessoa. Assim, não há contágio pela proximidade com uma pessoa doente.


