Imagem ilustrativa da imagem Mitos ainda são entrave para a prática do aleitamento
| Foto: Fotos: Celso Pacheco
"A amamentação é um ato de carinho, de troca, de afetividade", afirma Milena Lago, mãe de Laura



Em dez anos, o índice de mulheres que amamentam seus bebês até os seis meses de vida cresceu de 24% para 41% em Londrina. O salto é motivo de comemoração, mas para que chegue a 100% ou pelo menos próximo da totalidade, ainda é preciso derrubar muitos mitos que cercam o aleitamento materno. Nos próximos dias, diversas ações serão realizadas no município para incentivar a amamentação.
Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Comitê de Aleitamento Materno de Londrina (Calma), realizou a abertura oficial da Semana Mundial do Aleitamento Materno, comemorada entre 1 e 7 de agosto. Ao longo de todo o mês, porém, haverá atividades nas unidades básicas de saúde, igrejas e supermercados, que irão realizar campanhas de arrecadação de vidros usados para doação de leite materno.
O Ministério da Saúde incentiva a prática do aleitamento até que a criança tenha dois anos de idade, mas ainda é muito grande o número de mães que param após os seis meses ou desistem logo no início da vida do bebê, recorrendo à mamadeira. São vários os motivos que levam as mulheres a não insistirem no aleitamento. A história familiar, por exemplo, ainda é um fator que influencia na decisão. "Se a mulher não foi amamentada, quando for ter filho, a avó, a mãe, dizem que não precisa e a mãe acaba recorrendo à mamadeira", disse a professora do curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina e membro do Calma, Mauren Mendes Tacla.
As dificuldades iniciais que muitas mães enfrentam também podem desestimulá-las a insistirem na prática. "Às vezes, a mulher fez uma cesariana e, na cesariana, em geral, a descida do leite demora mais. O bebê também pode sugar de forma inadequada o bico do seio acaba rachando e dói", enumerou Mauren.
O desconhecimento também interfere na decisão da mãe. "O leite materno é rapidamente digerido e o estômago do bebê também é muito pequenininho e não cabe muito alimento, então ele vai mamar com mais frequência. Já a digestibilidade do leite de vaca é mais demorada e o bebê demora mais a sentir fome novamente. Por isso, muitas mães acham que o leite materno não sustenta. Mas não existe leite fraco. Isso é um mito ainda muito forte", afirmou.

REDE DE APOIO
Para ajudar as mães a persistirem e aderirem ao aleitamento materno, defende Mauren, é muito importante que se construa uma rede de apoio, da qual fazem parte os familiares, os profissionais de saúde e até mesmo o pessoal que atua na recepção e na limpeza dos hospitais. "Todos devem falar a mesma língua. A mulher precisa ter esse apoio. Às vezes a gente esquece que ela está sozinha e a gente precisa ajudá-la. As mães têm muitas dúvidas e há muitas pessoas dando palpites."
Mauren lamenta que nem todos os profissionais de saúde "vestiram a camisa" do aleitamento materno. "Precisamos sensibilizar os profissionais. Ainda há pediatras que orientam parar de amamentar. Não existe melhor alimento. A formação desses profissionais de saúde em relação ao aleitamento ainda peca. Nos cursos de saúde o aleitamento ainda é muito pouco abordado", avaliou.
"A Semana do Aleitamento Materno é uma forma de apoiar a mulher e seus familiares. É uma oportunidade para que a população se sensibilize para a questão. "As mulheres precisam de todo esse apoio", disse a coordenadora do Calma, Lilian Poli de Castro.
Nos próximos dias, 23 movimentos de incentivo ao aleitamento serão realizados no município, envolvendo profissionais da área da saúde, mercados e supermercados, onde haverá a coleta de vidros que serão utilizados na doação de leite materno e orientações para quem ainda tem dúvidas sobre o aleitamento. No sábado, das 15 às 17 horas, haverá a Hora do Mamaço, na Concha Acústica. Na página principal do portal da Prefeitura (www.londrina.pr.gov.br), é possível acessar a programação completa, clicando no banner com a logomarca da Semana Mundial do Aleitamento Materno.

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