Foi atrás de justiça que a família da empregada doméstica Gilmara Rodrigues, de 22 anos, esteve ontem no IML de Curitiba. Depois de ficar desaparecida durante 50 dias, Gilmara, que estaria grávida, foi encontrada morta na noite de terça-feira, numa fazenda no município de Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. O corpo da jovem será liberado apenas hoje e a suspeita é que ela tenha sido assassinada.
Durante mais de seis anos, a jovem trabalhou como empregada para o casal Elenice e Ângelo Cavalli, em sua residência em Rio Branco do Sul, sem apresentar problemas. Situação, que segundo os familiares de Gilmara, começou a mudar nos últimos meses. ‘‘O que ficamos sabendo por vizinhos’’, contou Sueli, uma das irmãs, ‘‘foi que a patroa estava acusando ela de ter uma caso com o marido. Nós nunca ficamos sabendo disso. Como também nunca soubemos que ela estava grávida’’.
Sueli conta que a patroa confessou para outra prima de Gilmara, que tinha ‘‘apertado’’ a empregada para descobrir sobre o caso. Na discussão, Gilmara teria entrado em trabalho de parto e sido levada para o Hospital de Itaperuçu, cidade próxima a Rio Branco do Sul. Em seguida, a jovem teria sido internada, com o nome de Marli, para fazer uma curetagem. Gilmara teria desaparecido depois de receber alta hospitalar.
O outro lado - O patrão de Gilmara, Ângelo Cavalli, diz desconhecer que a moça estaria grávida e que os dois teriam um relacionamento afetivo. ‘‘Ela trabalhou com a gente até o dia 30. Depois nós a dispensamos. Não temos o que falar de alguém que trabalhou com a gente por mais de seis anos e inclusive criou nosso filho. Acho que a irmã dela, que está inventando tudo isso, precisa de tratamento’’, disse. Cavalli alega que desde o início, ele e a mulher não pararam de procurar pela empregada. ‘‘Se eles nos culpam, eles que provem.’’
O pai de Gilmara, Lili Rodrigues de Oliveira, disse que tinha esperanças de encontra a filha com vida. ‘‘Por isso fui até o hospital para saber da gravidez e se podia ser mesmo a Gilmara. Nunca cheguei a imaginar que ela pudesse estar mesmo morta. Sempre que ia falar com o delegado para saber se ele tinha alguma pista, ele me garantia que ia encontrar ela viva. Acredito que os patrões tenham matado ela, por causa das coisas que os vizinhos contaram.’’
Na Delegacia de Rio Branco do Sul, onde havia sido registrada a queixa do desaparecimento, foi aberto um inquérito policial para dar sequência às investigações. No final da tarde de ontem, os policiais voltaram ao local onde foi encontrado o corpo, para uma nova varredura.
‘‘Estamos verificando tudo com olhos de polícia’’, garantiu o delegado responsável pelo inquérito, Hormínio de Paula Lima Neto. ‘‘As acusações contra a patroa e a suposta gravidez ainda são hipóteses. Não vamos descartá-las, mas também não podemos afirmar nada levianamente.’’Kraw PenasIndignaçãoOs parentes de Gilmara Rodrigues estiveram ontem no IML para pedir que morte seja esclarecidaVivian de Albuquerque

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