Missões buscam ovelhas desgarradas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de outubro de 1998
Osmani Costa 
A empreitada é gigantesta, o projeto é complexo e os objetivos são difíceis de alcançar. Mas a Pastoral das Missões da Arquidiocese de Londrina não se intimida e prepara-se cuidadosamente para a jornada, que na prática terá início em março do próximo ano. Até lá, aproximadamente 12 mil missionários leigos estarão sendo treinados nas 62 paróquias que compõem a arquidiocese, que compreende Londrina e outros 21 municípios.
A base da proposta - batizada de Missões Populares - é que os missionários visitarão, sempre atuando em duplas, casa por casa, todas as residências das zonas urbana e rural de cada município. Só na cidade de Londrina, estima-se que o número de casas passe de 130 mil. Esta será a nossa principal agenda do ano que vem; estamos preparando nossa Igreja rumo ao novo milênio. Vamos em busca das ovelhas desgarradas; o principal objetivo é redespertar a fé nos católicos adormecidos, explica o frei Adelino Frigo, coordenador geral da Pastoral das Missões e do projeto Missões Populares.
Segundo ele, estas visitas iniciais do mês de março a todas as residências servirão para um mapeamento dos católicos da região, estimados em cerca de 80% da população. A partir de abril, as visitas mensais - que totalizarão nove - acontecerão apenas às casas de famílias católicas. Não vamos fazer proselitismo da nossa Igreja, e nem atacar outras religiões, pelas quais temos respeito. Nosso propósito é conhecer a fundo a realidade de cada família, e recuperar para a prática religiosa e social os católicos que estão atualmente distantes, afirma o frei Frigo, que nasceu em Capinzal (SC) há 58 anos e especializou-se em teologia pastoral e ecumenismo no Vaticano, em Roma, entre 1984 e 86.
De acordo com o coordenador do programa, as visitas às casas serão diurnas nos domingos e noturnas durante os outros dias da semana. Entre os católicos, somente cerca de 17% são atuantes, na sua maioria mulheres. Tem muito católico tranquilo por aí. Vamos incomodá-los, no bom sentido, e reintegrá-los à Igreja, às atividades sociais de sua comunidade. Nosso objetivo não é converter ninguém de outra religião, mas sim recuperar os nossos fiéis para os grupos de reflexão e de ação.
Frei Frigo adianta que o material que será utilizado nas Missões Populares - cartazes, música-tema, folders etc. - está sendo produzido, e os missionários selecionados e capacitados através de reuniões e cursos em todas as paróquias, que contam na região com 108 padres e 235 freiras. As visitas, que serão agendadas e terão a duração de acordo com as possibilidades de cada família, servirão também como instrumento de apoio e encaminhamento de soluções aos problemas sociais detectados. Vamos tornar a Igreja mais viva e atuante, em todos os sentidos, na nossa comunidade, ressalta.
O coordenador do programa - que foi adaptado de uma proposta da Igreja para todo o mundo neste final de milênio - destaca que a intenção é ampliar e valorizar o espaço dos leigos no interior das paróquias e no desempenho de suas atividades cotidianas, como vem ocorrendo em outras religiões nas últimas décadas. A Igreja Católica perdeu muito tempo, neste sentido. Os documentos do Vaticano apontam este caminho, mas nossas iniciativas práticas ainda são muito tímidas; estamos muito devagar com estas experiências. E não se vai a Deus sem passarmos pelo homem, comenta frei Adelino Frigo.
Para ele, na América Latina a maioria da população é formada por excluídos dos benefícios sociais. A Igreja não pode fechar os olhos para esta realidade. Por isto, temos que cuidar da parte espiritual e termos atuação no campo social; temos a obrigação de intervir e ser atuantes nos problemas das famílias e da comunidade. Obviamente, sem extremismos e sempre buscando o equilíbrio.


