A empreitada é gigantesta, o projeto é complexo e os objetivos são difíceis de alcançar. Mas a Pastoral das Missões da Arquidiocese de Londrina não se intimida e prepara-se cuidadosamente para a jornada, que na prática terá início em março do próximo ano. Até lá, aproximadamente 12 mil missionários leigos estarão sendo treinados nas 62 paróquias que compõem a arquidiocese, que compreende Londrina e outros 21 municípios.
A base da proposta - batizada de Missões Populares - é que os missionários visitarão, sempre atuando em duplas, casa por casa, todas as residências das zonas urbana e rural de cada município. Só na cidade de Londrina, estima-se que o número de casas passe de 130 mil. ‘‘Esta será a nossa principal agenda do ano que vem; estamos preparando nossa Igreja rumo ao novo milênio. Vamos em busca das ovelhas desgarradas; o principal objetivo é redespertar a fé nos católicos adormecidos’’, explica o frei Adelino Frigo, coordenador geral da Pastoral das Missões e do projeto Missões Populares.
Segundo ele, estas visitas iniciais do mês de março a todas as residências servirão para um mapeamento dos católicos da região, estimados em cerca de 80% da população. A partir de abril, as visitas mensais - que totalizarão nove - acontecerão apenas às casas de famílias católicas. ‘‘Não vamos fazer proselitismo da nossa Igreja, e nem atacar outras religiões, pelas quais temos respeito. Nosso propósito é conhecer a fundo a realidade de cada família, e recuperar para a prática religiosa e social os católicos que estão atualmente distantes’’, afirma o frei Frigo, que nasceu em Capinzal (SC) há 58 anos e especializou-se em teologia pastoral e ecumenismo no Vaticano, em Roma, entre 1984 e 86.
De acordo com o coordenador do programa, as visitas às casas serão diurnas nos domingos e noturnas durante os outros dias da semana. ‘‘Entre os católicos, somente cerca de 17% são atuantes, na sua maioria mulheres. Tem muito católico tranquilo por aí. Vamos incomodá-los, no bom sentido, e reintegrá-los à Igreja, às atividades sociais de sua comunidade. Nosso objetivo não é converter ninguém de outra religião, mas sim recuperar os nossos fiéis para os grupos de reflexão e de ação.’’
Frei Frigo adianta que o material que será utilizado nas Missões Populares - cartazes, música-tema, folders etc. - está sendo produzido, e os missionários selecionados e capacitados através de reuniões e cursos em todas as paróquias, que contam na região com 108 padres e 235 freiras. ‘‘As visitas, que serão agendadas e terão a duração de acordo com as possibilidades de cada família, servirão também como instrumento de apoio e encaminhamento de soluções aos problemas sociais detectados. Vamos tornar a Igreja mais viva e atuante, em todos os sentidos, na nossa comunidade’’, ressalta.
O coordenador do programa - que foi adaptado de uma proposta da Igreja para todo o mundo neste final de milênio - destaca que a intenção é ampliar e valorizar o espaço dos leigos no interior das paróquias e no desempenho de suas atividades cotidianas, como vem ocorrendo em outras religiões nas últimas décadas. ‘‘A Igreja Católica perdeu muito tempo, neste sentido. Os documentos do Vaticano apontam este caminho, mas nossas iniciativas práticas ainda são muito tímidas; estamos muito devagar com estas experiências. E não se vai a Deus sem passarmos pelo homem’’, comenta frei Adelino Frigo.
Para ele, na América Latina a maioria da população é formada por excluídos dos benefícios sociais. ‘‘A Igreja não pode fechar os olhos para esta realidade. Por isto, temos que cuidar da parte espiritual e termos atuação no campo social; temos a obrigação de intervir e ser atuantes nos problemas das famílias e da comunidade. Obviamente, sem extremismos e sempre buscando o equilíbrio.’’

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