A Justiça Federal de Maringá condenou, em fevereiro deste ano, o missionário Alécio Miranda Leal, 70 anos, e sua esposa Saline Atie Ramos, 67 anos, pelo crime de sonegação fiscal. O juiz federal substituto da Vara Criminal Federal, Raphael Cazelli Carvalho condenou ambos há mais de dois anos de reclusão mas reverteu as penas em prestação de serviços à comunidade e pagamento de prestações pecuniárias à entidades beneficentes.
Em 1974, o missionário e a esposa fundaram em Maringá a ''Igreja Evangélica Só o Senhor é Deus''. No final da década de 1990, a igreja possuia mais de 1,6 milhão de fiéis no Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia. No final de 1999, ele protagonizou o anúncio do arrebatamento (volta de Jesus Cristo à Terra). Depois disso, se desligou da congregação. Em 2000, Miranda Leal foi acusado por dirigentes da igreja de ter retirado indevidamente mais de R$ 6,1 milhões das contas da congregação e da empresa Rádio Difusora de Londrina, ambas registradas em nome do missionário.
Em seu parecer, o Ministério Público Federal (MPF) aponta que fiscalização realizada na documentação fiscal do réu, da igreja e da rádio ''constatou a presença de irregularidades consistentes'', como saques bancários sem justificativa e depósitos sem demonstração de origem. ''Tais valores foram considerados na ação fiscal como omissão de rendimento da pessoa física'', destaca a Promotoria Federal. Com relação à esposa de Miranda Leal, o MPF apurou que ela teria vendido um veículo Mercedes Benz (R$ 115 mil), em outubro de 1999. Ela não teria declarado nem a compra nem a venda do veículo em sua declaração de imposto de renda.
O juiz não acatou a tese da defesa de que o processo deveria ser suspenso em razão de duas ações que tramitam na 6 Vara Cível de Maringá, as quais apuram a verdadeira propriedade dos valores mencionados na denúncia encaminhada à Justiça Federal. Ele ressaltou que ''a materialidade delitivo restou comprovada por meio dos elementos de prova constante nos autos''. O missionário foi condenado a dois anos e meio de reclusão mas a pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade e ao pagamento de prestação pecuniária a uma entidade beneficente no valor de 150 salários mínimos. Saline também teve a pena de reclusão convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de prestação pecuniária de 78 salários minímos. Ambos poderão recorrer da decisão em liberdade.
O missionário e a esposa, que haviam se mudado de Maringá retornaram em 2003 e atuam hoje à frente da igreja ''Jerusalém de Deus''. A reportagem tentou contatar o casal por telefone mas o telefone havia sido suprimido do serviço de informação à pedido do assinante.
A diretoria atual da ''Igreja Evangélica Só o Senhor é Deus'' declarou que vai recorrer da decisão junto ao Tribunal Regional Federal da 4 Região em Porto Alegre (RS), ''por considerar a pena muito branda''.

mockup