O missionário Miranda Leal prestou depoimento ontem, na delegacia de Maringá, e negou que tenha algum envolvimento com os pacotes contendo drogas, entregues na sede da Igreja Só o Senhor é Deus, em Maringá, e na Rádio Difusora de Londrina. Os dois pacotes, despachados pelos Correios em Foz do Iguaçu, tinham uma porção de maconha e papelotes de cocaína dentro de uma Bíblia com as páginas recortadas e bilhetes manuscritos falando sobre o despacho da droga.
‘‘Não fui intimado e estou aqui porque sou um homem de caráter’’, afirmou Leal, ao deixar a delegacia. Acompanhado da mulher, a missionária Saline Atie Ramos, garantiu que nada tem a ver com os dois pacotes. Ele explicou ainda que não escreveu nem sabe que Atie escreveu os bilhetes que estavam dentro do pacote. ‘‘Quero que façam exames grafotécnicos para comprovar o que estou falando e vou responsabilizar quem acusa’’, avisou.
Miranda Leal disse que é dono da rádio de Londrina e do dinheiro que os atuais dirigentes da Só o Senhor é Deus alegam pertencer à igreja, cerca de R$ 8 milhões. ‘‘Quero a rádio e voltar à igreja que é meu local de origem’’, disse. Ele garantiu ainda que quando saiu da igreja, deixou mais de R$ 300 mil. ‘‘Ao invés de conversarem comigo porque deixei o cargo por problemas de saúde, preferiram me acusar’’. Leal lembra ainda que renunciou à presidência da Só o Senhor é Deus e não pediu para ser excluído da congregação.
Ele não quis falar sobre a multa de R$ 6 milhões que a Receita Federal lhe aplicou por sonegação. Disse que assim como os demais assuntos que dependem da Justiça, está nas mãos dos advogados. ‘‘Minha igreja (Jerusalem de Cristo) está crescendo em todo o País e pretendo voltar para Maringᒒ, afirmou. Os dirigentes da Só o Senhor é Deus pretendem aguardar a posição da polícia sobre os pacotes com drogas recebidos pela igreja.
O missionário Miranda Leal renunciou ao cargo de presidente da congregação em dezembro de 1999, três meses depois de prever o arrebatamento. Na versão dele, Jesus Cristo voltaria à terra para levar os ‘‘escolhidos’’. Ao se desligar da igreja, Leal foi acusado de se apossar de R$ 6 milhões e outros bens como um carro Mercedes-Benz.

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