Missionário cria ONG para ajudar as famílias
O missionário independente Arraré da Silva preside a única Organização Não-Governamental (ONG) de Maringá que cuida de portadores do HIV. Carioca e tenente reformado do Exército, ele fundou há cinco anos a ONG Vou de Jaboque - Expresso da Vida.
Arraré conhece todos os casos de pacientes do Coas que desenvolveram as patologias da Aids. Visita-os todos os dias, levando sempre uma palavra de esperança e tentando convencer os que ainda não estão doentes a tomar os remédios, como o AZT.
Quando fala em números, Arraré exagera. Diz que em Maringá existem mais de 70 mil soropositivos. Isso significaria um portador do vírus para cada quatro habitantes. Nenhuma autoridade acredita na avaliação.
Oitenta por cento dos nossos prostitutos e prostitutas estão com o vírus e a maioria deles, com raiva por ter o vírus, fura as camisinhas. Aí é morte certa, meu caro, afirma Arraré.
O missionário já retirou das ruas mais de uma dezena de travestis e prostitutas. Quando os convence, leva-os à Praça Raposo Tavares, em frente à Rodoviária, onde os soropositivos assumem publicamente a doença e fazem alertas aos transeuntes. O transformista Flávio de Souza foi um deles. Flávia, como o travesti era conhecido, cortou o cabelo em público para simbolizar sua retirada da prostituição.
Todos os dias, de manhã, Arraré percorre feiras e supermercados à cata de restos de frutas, verduras e legumes, que limpa, lava e leva à casa de famílias infectadas pela Aids: São dezenas de famílias, meu irmão, que não têm nada. É só preconceito contra eles, que não têm cesta básica, isenção de taxas de água, luz e aluguel e muito menos vale-farmácia. Ninguém os emprega. Eles estão doentes, meu irmãozinho, não conseguem andar, nem falar, nem ouvir e ninguém nesta cidade faz nada por eles, a não ser exames, exames e exames. E o Ministério da Saúde ainda atrasa a entrega do coquetel por causa da burocracia. Isto é Brasil.





