Najua Diba vive na região do atual conflito há mais de 12 anos. Ela foi para lá depois de receber o que diz ter sido ‘‘um chamado’’. Nascida na cidade paulista de São Pedro do Turvo, perto de Ourinhos, e filha de imigrantes libaneses, ela era professora de História até 1978, quando converteu-se à Igreja Presbiteriana Independente e decidiu largar tudo para ser missionária. Em 1985, Najua conta que ‘‘de repente sentiu que tinha uma missão a cumprir e que precisava ser na Albânia’’. Por isso, começou a se preparar para ser missionária. Durante dois anos fez cursos e, em seguida, viajou para Londres. ‘‘Ela foi aprender a falar inglês fluentemente, porque precisava saber a língua para ter condições de sobreviver num país onde não conhecia nada’’, justifica Helena Fonseca, da Igreja Presbiteriana.
Um ano depois, em fevereiro de 1987, Najua desembarcava pela primeira vez em Pristina, capital de Kosovo. ‘‘Seu desejo era ir para a Albânia, então comunista, mas naquela época a entrada de cristãos era proibida’’, conta Helena. Sem conhecer ninguém e sem falar €a língua do país, Najua foi morar com uma família de kosovares, que acabou se convertendo ao cristianismo e transformou-se no núcleo da igreja que anos depois ela construiria lá. Em Kosovo, inscreveu-se na Universidade de Pristina para aprender a língua albanesa.
Najua só conseguiu entrar na Albânia no final de 1991, quando o país atravessa um período negro, de caos social. Aliás, ela foi a primeira missionária brasileira a entrar naquele país. ‘‘Najua chegou a Albânia falando fluentemente a língua albanesa’’, observa Laine. Desde então mora em Tirana numa casa simples perto do centro da cidade. ‘‘Ela paga aluguel e se mantém com as ofertas que recebe da igreja’’, diz Helena. Em sua pequena casa, de tijolo quase à vista e numa rua de terra, Najua hospeda hoje uma família de refugiados kosovares, a mesma família que a abrigou durante os quatro anos que viveu em Pristina. (P.S.M. e A. C.)

mockup