Missas marcam Jubileu do Presos em Londrina
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domingo, 09 de julho de 2000
Lino Ramos De Londrina e Agência Estado 
Uma mensagem de solidariedade aos detentos e seus familiares marcou ontem as missas realizadas em todas as paróquias da Igreja Católica pelo Jubileu dos Presos, idealizado pela Papa João Paulo II. Apesar dos problemas de sáude, o Papa visitou ontem cedo o pesídio de Regina Coeli, o mais antigo de Roma. No sábado pela manhã em Londrina, o bispo-auxiliar, dom Vicente Costa e membros da Pastoral Carcerária visitaram a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), onde houve uma celebração.
De acordo com o bispo, a situação dos detentos em Londrina é precária. Dom Vicente Costa também lamentou que o presidente Fernando Henrique Cardoso tenha negado o indulto especial solicitado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que havia pedido a liberdade para todos os detentos em condições de deixar os presídios.
Para Claudemir Bozzi, membro da Pastoral Carcerária, nos distritos policiais os detentos enfrentam uma situação lastimável. Cada interno vive em um espaço de 50 centímetros quadrados, quando a Lei de Execuções Penais prevê um espaço mínimo de seis metros quadrados, comentou. Na avaliação de Bozzi, é uma situação que acarreta mais violência. No Brasil, uma pessoa fica no máximo 30 anos presa. Cedo ou tarde ela deverá voltar para o convívio social saindo dessas universidades do crime. Bozzi disse ainda que o Governo Federal reduziu em 50% as verbas para o sistema penitenciário.
Segundo a Pastoral Carcerária, no Paraná existem 7.080 detidos em penitenciárias e 31% dos internos são reincidentes. Destes, 55% praticaram crimes contra o patrimônio e 23,5%, crimes contra a vida. Mais de 81% não têm o primeiro grau completo e 1% nunca trabalhou. Em distritos, delegacias e cadeias paranaenses estão 4.500 presos, sendo que um terço está condenado e deveria se encontrar em penitenciárias.
Em Roma o Papa João Paulo II foi aplaudido pelos detentos do presídio de Regina Coeli durante a missa pelo Jubileu dos Presos. Encontro-me diante de vocês, mas no pensamento me desloco a todos os lugares do mundo onde homens e mulheres estão presos. Peço às autoridades, em nome de Cristo, por motivo do Jubileu, um gesto de clemência para os detentos, disse João Paulo. A missa foi assistida por cerca de 60 detentos, homens e mulheres instalados ao lado do cardeal francês Roger Etchegaray, presidente do comitê para o Jubileu e do ministro da Justiça, Piero Fassino. Outros detentos assistiram a missa nos corredores ou nas celas por aparelhos de TV.


