Duas missas em homenagem ao trabalhador reuniram centenas de católicos na manhã de ontem em Londrina. Na Paróquia São José Operário, localizada no Jardim Leonor (Zona Oeste), os 450 lugares da igreja não foram suficientes para o grande número de fiéis, que precisaram se espremer pelos corredores e até do lado de fora.
A missa, realizada pelo padre Antônio Jorge Naufel, o padre Toninho, há quase uma década, chama atenção pelas músicas que são entoadas durante a celebração. Elas mantêm as letras religiosas, mas com melodias de conhecidas músicas sertanejas de raiz, atraindo cada vez mais fiéis todos os anos. Os integrantes da banda de músicos e do coral da igreja também se vestem com roupas sertanejas.
Além disso, na celebração de ontem, na hora das oferendas os trabalhadores foram representados por profissionais como garçom, enfermeiro, bombeiro, carpinteiro, metalúrgico, cozinheira, costureira e secretária, todos caracterizados. Posteriormente o padre ainda abençoou as carteiras de trabalho.
Representando a classe das cozinheiras, Cleusa Poli, 49 anos, sentiu-se homenageada. ''Essa missa é muito importante, tem ajudado muita gente. Dá um grande orgulho da profissão da gente'', afirmou. Para ela, as músicas sertanejas são o grande fator de atração dos fiéis para a celebração, além do fato de São José Operário, padroeiro da paróquia, ser o patrono dos trabalhadores.
Já a dona de casa Raquel Mari Costa Ribeiro, 33 anos, teve um motivo bastante especial para ir à missa: depois de um ano desempregado, seu marido conseguiu uma ocupação, e foi bem no dia de São José, 19 de março. ''Fizemos uma novena e recebemos essa graça, porque São José intercedeu por nós'', revelou, contando que, durante esse período, o casal e seus três filhos passaram por muitas dificuldades, superadas agora com a carteira registrada do marido.
Raquel disse que também se sente homenageada no Dia do Trabalho, por considerar que ser dona-de-casa também é uma profissão. ''A gente trabalha o dia inteiro, sem folga nem feriado, e o trabalho muitas vezes não é reconhecido. Não precisa ter carteira de trabalho para ser trabalhador. Acho que, hoje, todas as pessoas, até mesmo as desempregadas, podem se sentir acolhidas.''
Na missa realizada na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no Jardim Dom Bosco (Zona Oeste), o padre Romão Martins abençoou os objetos de trabalho levados pelos fiéis, em uma celebração que rogou não só pelos que estão empregados, mas também pelos jovens sem experiência, os despedidos na maturidade e todos os que têm dificuldades para encontar trabalho.
''Eu trabalho, mas conheço muita gente que está à procura de emprego. Estou orando não só por eles, mas por todo mundo'', informou a vendedora Michele Natália Matias, 29 anos. Michele levou um bloco de vendas para ser abençoado. ''Espero que aumente o número de vendas, mas principalmente que me ajude a manter o emprego, porque isso também está difícil hoje em dia'', contou. Mesmo empregada há cinco anos, para ela, não havia muito o que se comemorar no dia de ontem. ''Todo mundo quer é descansar.''

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