Curitiba - Um grupo de 85 alunos e ex-alunos do Colégio Medianeira, de Curitiba, está vivendo um período de Páscoa diferente. Eles estão participando esta semana do projeto Missão Semana Santa. Os jovens foram distribuídos em três comunidades pobres: Areia Branca dos Assis e Quatro Pinheiros, em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba, e no Boqueirão, na capital. Desde quarta-feira, eles estão hospedados em casas de famílias destas localidades e durante o dia realizam atividades comunitárias.
A programação, que termina hoje, inclui visitas a asilos e pessoas doentes das comunidades, trabalho educativo e recreativo com crianças, debates com adolescentes e catequese. Em atividades como atendimento de animais domésticos e instruções sobre uso correto da escova de dentes, os jovens são acompanhados por profissionais voluntários das respectivas áreas de conhecimento.
O projeto é realizado há seis anos e conta com apoio das pastorais locais. ''Neste trabalho, o aluno se insere numa realidade distinta da sua. É uma educação que vai além do conhecimento teórico, valoriza situações de vida'', explica o professor Edílson Ribeiro, um dos coordenadores do trabalho.
Camila Weber Kffuri, 16 anos, estudante do Ensino Médio, participa do projeto pela segunda vez. ''É um grande aprendizado. O que me impressionou foram as condições de vida da população da favela (do Boqueirão, onde a adolescente está realizando o trabalho), principalmente na questão da higiene. Outra coisa que chamou a atenção foi a forma como as casas balançam quando o trem passa pela região'', relata a jovem.
Suelen de Cássia Zlatanof Fuchs, 18 anos, se formou no ano passado no colégio e este ano fez questão de participar do Missão Semana Santa. ''Eu tinha uma visão diferente da favela, achava que era um lugar onde você tinha que entrar de carro com as portas trancadas. Mas a comunidade nos recebeu muito bem, não senti nenhum medo'', conta ela.
A emoção também é grande entre as pessoas atendidas. Nair Fernandes, 89 anos, portadora de Mal de Alzheimer, foi visitada por uma equipe da escola. ''Ela não sai de casa, quase não fala. Devido à doença, reconhece poucas pessoas'', explica Regina Fernandes, filha da idosa. ''Minha mãe é como criança, precisa de atenção dobrada, de todo carinho. Essa visita foi muito importante. É um projeto que traz uma sensação de paz, de união''.

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