Grande parte dos foliões começou a participar dessa tradição ainda na infância. Como Benedito da Silva, mais conhecido como ''Fião'', embaixador da Companhia de Santo Reis, da cidade de Florínea, em São Paulo. ''Estou com 73 anos e desde criança participo da folia. Já passei por todas as posições do grupo e, hoje, sou quem leva a mensagem de fé às pessoas. Sou testemunha do poder que Santo Reis realiza na vida delas'', conta ele, que aprendeu tudo o que sabe com o pai.
Ensinamento que José Marcos de Souza, Seo ''Pracinha'', no auge de seus 80 anos, também lembra com detalhes. ''Essa missão vem de família, além do dom, que é importante. Ao longo desses 66 anos de devoção, já toquei praticamente todos os instrumentos e, agora, fico com a bandola. Aprendi tudo de ouvido. Participar da folia é uma emoção grande e poder de levar o milagre da bandeira'', diz ele, para em seguida começar a dedilhar um verso improvisado de benção.
Mas se grande parte dos integrantes coleciona décadas de participação, jovens e crianças dão os primeiros passos à cultura popular. Ocupando a função de ''bastiana'' ou palhaço, no grupo Menino Deus, Verônica de Oliveira, de 18 anos, mescla a modernidade da juventude com as roupas coloridas. ''Toda a família sempre participou. Meu avô usou a farda por 40 anos. Quero continuar com essa caminhada que, ao contrário de muitos jovens que não conhecem a cultura, tenho muito orgulho'', resume. (M.T.)

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