Missão foi fundada em 1610 e reuniu mais de 100 mil índios
Marcos NegriniPlanosSecretário Volnei Bega espera recursos para construção do museuA Missão Jesuítica de Santo Inácio Menor foi fundada pelos padres Antonio Ruiz de Montoya, Simão de Maceta e José Cataldino em 1610, reunindo mais de 100 mil índios. O objetivo da missão era tomar posse de áreas para a Espanha. Construída entre as margens dos rios Santo Inácio e Paranapanema, a missão foi a segunda das 13 erguidas pelos jesuítas no caminho até Guaíra.
Em 1630, os missionários e parte dos índios deixaram a missão de Santo Inácio Menor, fugindo dos bandeirantes chefiados por Raposo Tavares e Manoel Preto. Os bandeirantes queriam escravizar os índios para o trabalho nas lavouras de cana-de-açúcar e café no interior de São Paulo e também retomar as terras ocupadas.
Os jesuítas doutrinavam os índios, que tinham grande capacidade de trabalho depois de domesticados, despertando o interesse dos bandeirantes, conta o aposentado pesquisador Benedito Almeida.
Durante a fuga dos jesuítas da Missão de Santo Inácio Menor - eles desceram o Rio Paranapanema - muitos índios acabaram morrendo. As centenas de embarcações utilizadas na fuga seguiram até o Rio Paraná. A partir daí, a missão teve que seguir por terra, ao encontrar os saltos de Sete Quedas - submersos em 1982 pelo Lago de Itaipu.
Dos quase 100 mil índios que fugiram, cerca de 12 mil chegaram com vida até as proximidades da fronteira com o Paraguai. Com apoio do governo paraguaio, os jesuítas formaram uma nova missão no local.
A chegada dos bandeirantes selou a destruição progressiva da missão jesuítica. Depois de expulsarem os padres e índios, os bandeirantes saquearam e puseram fogo nas instalações da missão. Durante muitos anos, o local ficou tomado pela mata nativa.
A mata sobreviveu até ser devastada por posseiros. Depois, parte da área foi inundada pelo lago de Taquaruçu. Segundo o chefe do escritório do IAP em Maringá, Clovis da Silva Rocha, existem muitos vestígios da missão sobre o solo. Ele diz que a cerca de um metro de profundidade é possível encontrar traçados das ruas e o contorno das construções. Por isso estamos brigando para manter o local intocável, afirma.





