Missão brasileira valeu seu custo, diz astronauta
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sábado, 27 de outubro de 2007
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Em um ano e meio, desde que retornou da primeira missão espacial da história do Brasil, o astronauta Marcos Pontes já deu em torno de uma centena de palestras, com foco quase sempre motivacional. Para muitos, sua participação nesses eventos - muitos deles pagos - soa como um retorno muito pequeno diante dos US$ 10 milhões investidos pelo governo brasileiro. Ontem, antes de encerrar a Semana de Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com mais uma palestra, ele respondeu à FOLHA: ''A missão teve todos os seus objetivos cumpridos e com louvor.''
Um deles foi o de incentivar a juventude para as carreiras de ciência e tecnologia. O engenheiro e capitão da reserva da Aeronáutica exemplificou lembrando que, depois de sua ida ao espaço, o número de participantes da Olimpíada Brasileira de Astronomia saltou de 107 mil para mais de 300 mil.''É importante transmitir essa motivação aos jovens. Não adianta ter um programa espacial com os melhores equipamentos do mundo, se não tiver profissionais para operá-los'', ressaltou.
Segundo Pontes, a discussão sobre o custo/benefício dos programas espaciais ocorre em todos os países. Os Estados Unidos apontam que cada dólar gasto no programa reverte pelo menos dois dólares no bem estar da sociedade. ''Se você manda um tijolo para o espaço, por exemplo, sua utilização prática é zero. Mas se para colocá-lo lá você teve que desenvolver uma série de novas tecnologias, e elas renderam novos produtos, e geraram novas empresas e novos empregos, você cumpriu o papel'', ilustrou.
Na missão de 10 dias lançada em 30 de março de 2006, oito experimentos científicos brasileiros foram levados no foguete russo Soyuz TMA 8, para serem executados em ambiente de microgravidade. Segundo o astronauta, tais experimentos ''não vão resolver o mundo'', mas deram partida num processo. Por exemplo, um estudo de controle de temperatura e resfriamento em microgravidade, desenvolvido em Santa Catarina, já teve resultados práticos: servirá para uso em satélites (''uma tecnologia a menos que teremos que importar'') e até para fornos de padaria.
Comentando o futuro do programa espacial brasileiro, Pontes colocou como uma das prioridades a reconstrução da base de lançamento de Alcântara, atualmente enroscada em trâmites burocráticos. Em 2003, um Veículo Lançador de Satélites (VLS) explodiu na base, matando 21 pessoas. Cinco alunos e professores londrinenses conseguiram escapar com vida. Sobre seu próprio futuro, o astronauta se declarou ''à disposição para outros vôos e esperando, quem sabe, um convite para trabalhar na parte administrativa do programa espacial''.
Em suas palestras, o ex-ajudante de eletricista de Bauru (SP) diz aos jovens que, com estudo e metas, eles podem ir mais longe do que o astronauta foi. Mas será que um País com tantas mazelas sociais quanto o Brasil poderá realmente bancar a formação e lançamento de vários astronautas um dia - sem sofrer tantas críticas? ''Por bem ou por mal, sim. O Brasil tem uma população jovem e inteligente. Terá que aprender com os erros dos outros ou com os seus próprios, se não quiser ficar escravo dos países que detêm a tecnologia e pensaram nisso antes.''


