Missa-show ganha cada vez mais adeptos
Todas as quintas-feiras, a cena se repete. Logo no início da tarde, por volta das 14 horas, centenas e centenas de pessoas vão chegando, para durante duas horas rezar, e também cantar e dançar. O ponto de encontro é a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no bairro Água Verde, em Curitiba, onde acontecem as missas carismáticas de Francisco Pereira Filho, o Padre Chico, como é carinhosamente chamado por seus seguidores.
Marcelo AlmeidaCássia FilgueiraO que acontece na paróquia é apenas um exemplo do que se vê todas as semanas em vários pontos da cidade. É o resultado do avanço do movimento de Renovação Carismática Católica, que desde que surgiu no Brasil, inclusive no Paraná, há 24 anos, mostrou uma transformação dentro da Igreja Católica que se caracteriza principalmente pela diferenciação da forma de celebração. De um lado as tradicionais missas, que prezam a reflexão, e do outro as carismáticas, realizadas com guitarra, bateria e, claro, cantores.
Não há como negar. A fórmula deu certo e conseguiu arrebanhar milhares de pessoas, principalmente católicos que estavam desgarrados da igreja. Quem nunca ouviu falar no padre Marcelo Rossi, de São Paulo, que vem reunindo mais de 50 mil pessoas nas missas que celebra? Não há nenhuma pesquisa, mas estima-se que só no Paraná o movimento carismático possua cerca de seis mil fiéis, de um total de oito milhões existentes no País.
Marcelo AlmeidaPaschueta FioreseCássia Filgueira, 16 anos, é um exemplo do que vem acontecendo com a Igreja Católica. Há dois meses ela frequenta o movimento carismático, assistindo as missas realizadas na Paróquia Santo Antônio. Eu era católica, mas não ia à igreja porque achava monótono ficar ouvindo o padre falar, conta. Depois que conheceu uma missa carismática não deixou de voltar. Gosto das músicas e da animação, diz. Cássia conheceu os carismáticos por intermédio de uma amiga. Gostou tanto que incentivou outros três e agora ela tenta convencer o irmão, de 20 anos.
Fernanda Lara, 16 anos, é uma das amigas de Cássia que voltaram para a igreja depois de um período de afastamento. Participando da terceira missa e ainda aprendendo as músicas, ela conta que o movimento está transformando sua vida. Fernanda diz que passou a ter mais fé e a acreditar que os problemas podem ser resolvidos sem sofrimentos.
Marcelo AlmeidaJosé AvizNo centro paroquial da Igreja Santo Antônio os encontros são celebrados com vários instrumentos musicais. Um pequeno aquecimento e já começam todos os fiéis a cantar e fazer movimentos em consonância com as músicas. Como não poderia deixar de ser, os sucessos do padre Marcelo Rossi são os mais executados. Para quem não sabe cantarolar, o socorro fica em um grande telão, onde são mostradas as letras.
Mas não é só de novatos que sobrevive os movimento carismático. A aposentada Paschueta Fiorese, 63 anos, participa do grupo há 13 anos, mas nunca deixou as missas tradicionais, que frequenta desde criança. Uni as duas coisas porque achava que estava me faltando algo para a paz. Com os carismáticos descobri que Jesus é que é o poder, a cura e a libertação., comenta.





