Paz, termo que vem se tornando cada vez mais subjetivo e menos presente no cotidiano dos brasileiros, foi novamente a palavra de ordem em uma manifestação pública contra a violência e falta de segurança em Londrina. Desta vez, alunos, professores e funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) reuniram-se aos familiares e amigos de Rafael Bernardino Ruiz em uma missa celebrada ontem de manhã no Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca), no campus da universidade. A missa em memória ao jovem, morto em um latrocínio (roubo seguido de morte) no começo do mês, também abordou a necessidade de mudança de atitude de cada um diante do problema da criminalidade. Rafael, de 19 anos, foi atingido por um tiro no abdome dentro de sua casa, ao defender seu pai das agressões dos ladrões.
Cerca de 150 pessoas assistiram à celebração, marcada pelo silêncio e pela emoção. ''Chega de violência. As pessoas têm que se unir e cobrar do poder público que o sistema mude, para que outros lares não sejam invadidos. Que este caso não se torne apenas mais um número na estatística'', declarou a mãe de Rafael, Marilene Bernardino Ruiz. Marilene afirmou estar iniciando um diálogo com várias entidades para realizar uma grande mobilização em Londrina. ''Outras famílias vítimas da violência já me procuraram para somarmos forças. É hora de tomar uma atitude'', anunciou.
''As pessoas estão muito acomodadas. Acho que tem que dar um basta e agir. E logo, se não a violência pode destruir várias outras famílias'', sugeriu Natália Bernardino, de 19 anos, prima de Rafael. Da mesma opinião, o padre Romão Martins, que celebrou a missa, recomendou que as pessoas tomem uma atitude, livrando-se da omissão e da indiferença. ''O mundo espera algo, não podemos ficar de braços cruzados no nosso mundinho. Vamos fazer alguma coisa, sejamos protagonistas de uma nova sociedade. Não devemos aguardar o reino de Deus só na outra vida, mas lutar para que ele se concretize aqui também'', afirmou, acrescentando que ''a indiferença é sinal da falta de amor''.
O reitor da UEL, Wilmar Marçal, também assistiu à celebração, e lembrou que o problema da violência e criminalidade tem atingido também a universidade. ''Tivemos quatro assaltos à mão armada só este ano. A violência não tem fronteiras. Lamentamos muito o que aconteceu com o Rafael, e acreditamos que este é um momento de reflexão para a própria comunidade universitária'', destacou. O reitor defendeu também o plano de segurança em discussão na universidade. ''Precisamos de um trabalho de prevenção para que pelo menos aqui na universidade tenhamos um espaço controlado e seguro para todos nós.''
Como namorada de Rafael e estudante da UEL, Juliana Teixeira disse acreditar que é preciso discutir mais esse plano de segurança. ''Não são barreiras físicas que vão impedir a violência de acontecer. A UEL deveria investir mais em trabalho social. Não excluir, mas fazer um trabalho para levar as pessoas para dentro da universidade'', opinou.
Um dos suspeitos de participação no latrocínio de Rafael foi preso na manhã de ontem. O delegado de Furtos e Roubos da 10 Subdivisão Policial (SDP), Lanevilton Moreira, afirmou que ele é uma das três pessoas que tiveram a prisão decretada ''como pretensas envolvidas no crime''. Ele preferiu não divulgar nomes e detalhes sobre a atuação de cada um, para não prejudicar o trabalho da polícia. Os outros dois suspeitos permaneciam foragidos até o final da tarde de ontem. (Colaborou Vanessa Navarro)

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