Hoje faz 24 anos que madre Leônia Milito faleceu em um acidente automobilístico no quilômetro 160 da BR-369, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Contudo, madre Leônia continua muito presente na vida dos londrinenses que atribuem a ela muitas graças tramita, inclusive, um processo de beatificação. Para lembrar a data, uma missa será realizada hoje, às 19h30, na capela que foi erguida na rodovia. Antes, às 15 horas, também haverá um missa no santuário localizado na avenida que leva o nome da madre.
''No dia do acidente ela estava com outras quatro irmãs que sobreviveram após o choque com um caminhão. Ela tinha apenas 67 anos'', contou irmã Terezinha de Almeida. O exemplo de fé e abnegação da religiosa foi tão marcante, que há seis anos as irmãs claretianas entraram com um processo de beatificação de madre Leônia.
Alguns devotos da madre, como Luciane Regina Arazawa Deliberador e o marido dela, o advogado Péricles José Menezes Deliberador, já confirmaram a presença na celebração. Luciane contou que o obteve uma graça devido a intercessão da madre Leônia. ''Meu marido foi baleado exatamente no dia 22 de julho de 2003 em um assalto na casa de meu pai e, após passar por uma cirurgia no coração, teve que ficar em coma induzido. Alguns médicos acreditavam que ele não sobreviveria'', relembrou.
Segundo Luciane, no dia 25 de julho ela recebeu uma oração da religiosa com um pedaço das vestes dela. Ela contou que naquele dia colocou a oração sobre o peito do marido e começou a orar. ''Por um instante ele levantou, sentou na cama, olhou para os lados e depois voltou a deitar'', detalhou. Hoje, após um ano do incidente, Luciana e o marido fazem palestras sobre a graça alcançada.
Nascida em Sapri, na Itália, madre Leônia Milito veio para o Brasil em 1954 e escolheu Londrina para dar corpo à sua obra missionária. Aqui, juntamente com o arcebispo dom Geraldo Fernandes, a religiosa fundou a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret em 1958, cuja essência era anunciar o Evangelho e o serviço da caridade. Hoje, seu exemplo ecoa nos cinco continentes, segundo informou a irmã Terezinha.
O exemplo de fé e abnegação da religiosa foi tão marcante, que há seis anos as irmãs claretianas entraram com um processo de beatificação de madre Leônia. ''Conseguimos reunir três pastas cheias de relatos de graças, que quase chegam a mil'', contou a irmã Terezinha, uma das postuladoras do processo. Os 23 volumes que contam a vida da religiosa foram enviados ao Vaticano em outubro do ano passado, que já decretou válido o pedido.
Agora, os documentos estão em fase de estudo pelos teólogos romanos. ''Antes de tornar alguém santa, Roma ouve a voz do povo, depois a voz da igreja e por último a voz de Deus, que é comprovada com um milagre concedido pela intercessão da futura santa'', explicou a irmã.
''Ela é um referencial. As pessoas podem olhar para vida dela e perceber que também são capazes de fazer aquilo, independente da religião que sigam'', contou irmã Terezinha. Para ser beatificada, é preciso a comprovação de um primeiro milagre, constatada por médicos que não encontrem explicação científica para o fato. Depois a canonização acontece após a comprovação do segundo milagre.

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