Uma missa celebrada anteontem à tarde, na Favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu, lembrou o primeiro ano do episódio que vitimou quatro rapazes - três menores - durante suposta ação policial para reprimir o tráfico de drogas na favela. A missa foi rezada por dois padres, no mesmo local onde os jovens foram mortos pela políca. Apenas um grupo de seis pessoas acompanhou a celebração. No local onde os rapazes foram mortos foi montado um marco com cruzes e flores. No sábado, as famílias das vítimas também participaram de uma missa na Catedral São João Batista.
Os jovens Eli de Oliveira, 19 anos, Giovani Medina, 15 anos, Ademilson Dias Matos, 17 anos, e Arnaldo Oziel Mongelos, 16 anos, foram mortos no dia 10 de outubro de 97, quando oito policiais civis, comandados pelo delegado Antônio Donizete Botelho, realizavam uma operação na favela. A polícia teria recebido um telefonema que informava que estava acontecendo um tiroteio entre grupos rivais que comandam o tráfico no bairro.
A polícia assegura que os rapazes pertenciam a uma quadrilha de traficantes e que teriam sido mortos durante troca de tiros com os policiais. Testemunhas desmentem a versão e afirmam que os rapazes foram executados depois de algemados. Nenhum dos rapazes tinha passagem pela polícia e todos eram empregados. Ninguém da polícia saiu ferido.
Depois de um ano da operação da Polícia Civil, as famílias têm pouca esperança de que fique comprovado que os rapazes foram mortos injustamente. ‘‘Parece que as pessoas já esqueceram que aquilo foi uma chacina. Ninguém mais dá atenção. Nem a Justiça e nem o Centro de Direitos Humanos (CDH). As autoridades agem como se nada tivesse acontecido’’, desafou a mãe de Giovani, Sônia Medina.
Em agosto, o Ministério Público solicitou que o Instituto de Criminalística de Foz fizesse perícias complementares às já realizadas nas armas e no local da operação. Ontem, a Folha tentou, sem sucesso, obter informações junto à Promotoria da Justiça sobre o resultado das perícias. O promotor Ourival Santos Filhos, responsável pelo caso, não foi encontrado. A Promotoria de Justiça alega que nos laudos anteriores havia carência de informações, o que estaria dificultando o andamento do processo.
Na época do crime, os policiais Hugo Vidal Ferreira Junior, Luís Carlos dos Santos, Celso Geraldo Bueno Carneiro, Luís Carlos Dorial, Paulo Roberto Saucedo, Francisco Carlos Cogrossi, Pedro Isac Nemecek e Fioravante Beruchon dos Santos, além do delegado Botelho, que atuaram na operação, foram afastados das funções externas e passaram a trabalhar no setor administrativo da Polícia Civil. A Corregedoria da Polícia Civil também instaurou processo administrativo para apurar o caso.
Segundo informações do Conselho da Polícia Civil, em Curitiba, o processo administrativo foi concluído em julho. O resultado não foi divulgado. O conselho apenas informou que os nove policiais receberam suspensão por 60 dias. Grande parte desses policiais continua trabalhando no Oeste do Estado.

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