A Paróquia de Santa Quitéria, em Curitiba, realizou ontem pela manhã uma missa diferente. A primeira beatificação de um cigano, realizada também ontem no Vaticano pelo Papa João Paulo II, motivou a paróquia curitibana a prestar uma homenagem a este povo. ‘‘É uma forma de conscientizar a comunidade sobre a necessidade de acolher igualmente todas as raças’’, afirmou o padre Ridz Antunes dos Santos.
Crianças ciganas atuaram como coroinhas e músicas típicas foram tocadas durante a missa. O cigano Cláudio Iovanovitchi, que frequenta assiduamente a paróquia, participou do sermão feito pelo padre, explicando aos fiéis o significado dos rituais de seu povo. Ele e sua família permaneceram no altar durante a cerimônia.
A filha Tatiana, 14 anos, já realizou o sacramento da primeira comunhão na paróquia. O caçula Cláudio, 8 anos, também participou da missa de ontem, falando da importância da beatificação do santo para o seu povo.
Prefeito dos nômades Iovanovitchi explicou que gostaria que cerca de 40 ou 50 ciganos estivessem presentes à missa, mas disse compreender a preocupação do padre de que o fato pudesse causar tumulto entre a comunidade. ‘‘Fazemos parte de um povo que esteve afastado da igreja por milhares de anos’’, disse.
Por isso, apenas a família Iovanovitchi participou da missa, representando os ciganos. O padre garantiu que a presença deste e de outros grupos que estão afastados da igreja será estimulada através de cerimônias apropriadas, que se tornarão frequentes.
No mesmo momento em que a comunidade era homenageada em Curitiba, na Itália cerca de três mil ciganos de todo o mundo estavam reunidos para assistir à beatificação do espanhol Severino de Mendes Mala, assassinado em agosto de 1936, aos 75 anos. Ele morreu durante a Guerra Civil Espanhola ao defender um jovem sacerdote.
O espanhol, nascido na Catalunha, era conhecido como ‘‘prefeito dos nômades’’, pelo hábito frequente de auxiliar os pobres e necessitados. Ele era semi-analfabeto e trabalhava com comércio de mulas.
‘‘Estamos muito emocionados com esta beatificação’’, confessou Iovanovitchi.
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