Mirins hoje, cidadãos amanhã
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terça-feira, 06 de abril de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Arapongas - Kathlen Nattielle de Britto, 11 anos, já sabe o que vai ser quando crescer: juíza. Decidida e empolgada com os estudos, a menina conta que aprendeu a respeitar mais seus pais e entende que essa atitude significa respeitar também todos o que estão em sua volta. Kathlen é integrante do programa Bombeiro Mirim Voluntário de Arapongas (Norte), trabalho realizado pela corporação em parceria com um colégio e uma igreja. No estado existem muitos outros projetos envolvendo crianças e adolescentes com o objetivo de formar cidadãos.
Ao todo são 160 crianças e adolescentes com idades entre 7 e 13 anos de Arapongas beneficiados pelo projeto, realizado pelo Corpo de Bombeiros com parceria do Colégio Olimpus e Igreja Presbiteriana Central. Cem delas vem de famílias carentes, as outras 60 são alunos do colégio que cede espaço para o projeto, cujas atividades são realizadas semanalmente. ''Nosso principal objetivo é formar o caráter desses jovens, ensiná-los o quanto é bom obedecerem seus pais e respeitar seu próximo'', comenta o cabo Jorge Luiz, um dos fundadores do programa.
Com o uso de equipamentos de segurança e somente depois de muita aula teórica, os bombeiros mirins aprendem na prática noções de ordem e participam de atividades físicas - como subida em corda e escalada com equipamentos de rapel. As crianças têm ainda aulas de musicalização, de primeiros socorros, de combate a incêndio doméstico, de atendimento a traumas e também como acionar o Corpo de Bombeiros.
''Estimulamos o interesse pelo estudo, pelo vínculos de amizades e cooperação. Fomentamos o bom relacionamento familiar, social e ensinamos conhecimentos antidrogas além de outros fatores que construirá o caráter dessas crianças de forma positiva'', completa cabo Jorge.
Em dia de projeto os alunos chegam e realizam a noção de ordem unida, uma espécie de marcha. Em seguida fazem uma oração (sem intervenção religiosa), tomam um lanche e passam para as atividades recreativas. Disciplinados, eles sabem a hora de brincar e a hora de prestar atenção nos ensinamentos do bombeiro ou dos instrutores civis que integram a equipe.
''Eu gosto de me esforçar para tirar nota boa. Acho que isso eu aprendi aqui e nunca mais vou mudar. A gente tem que buscar fazer o melhor sempre'', comentou Alberto dos Santos Fontana, 12 anos, que ganhou uma bolsa de estudos no colégio particular depois de se destacar pela disciplina e obediência.
O programa foi criado há seis anos e a procura é grande. ''Este ano tivemos 500 intenções de matrícula mas tivemos que priorizar os primeiros e deixar os próximos para os anos seguintes'', completa Jorge.
Consciência ambiental
Na mesma linha dos Bombeiros Mirins, cerca de 40 crianças carentes, com idades entre 10 a 14 anos, participam do programa Força Verde Mirim, realizado pelo Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde de Maringá (Noroeste). O grupo aprende informações técnicas e práticas sobre questões ambientais. O tutor da turma, soldado Rywerson Borges explica que o programa conta com apoio do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Lar Escola da Criança de Maringá, além da iniciativa privada para a confecção dos uniformes e bonés.
''Eles recebem treinamentos em encontros quinzenais por um período de seis meses. As crianças aprendem conceitos sociais, morais e, sobretudo, buscamos resgatar a cidadania e melhoramento da qualidade de vida destas e futuras gerações'', diz soldado Borges.
No dia 22 de março, o grupo comemorou o Dia da Água realizando o plantio de centenas de mudas em diversas regiões da cidade. Os meninos e meninas também são orientados sobre fauna, flora, coleta seletiva, legislação ambiental, civismo e primeiros socorros.
''As atividades práticas são realizadas de forma extra escolar. Levamos as crianças para passeios e elas realizam campanhas educativas, distribuição de mudas à população, etc. É uma forma de colocar em prática o que aprendem em sala de aula, além de levarem isso com eles para o resto de suas vidas tornando-se verdadeiros cidadãos mirins'', afirma o soldado.


