O missionário Miranda Leal, 66 anos, que previu o arrebatamento no final de 1999 e na mesma época sumiu de Maringá, prometeu ontem que vai voltar a residir na cidade e pretende reassumir a Igreja Só o Senhor é Deus, que fundou há mais de 25 anos. Ele mora atualmente no Rio de Janeiro e ontem estava em Maringá para a convenção anual da nova igreja que fundou, batizada de ‘‘Jerusalém de Deus’’. A igreja, garante, já tem mais de 40 templos no Brasil e Argentina. A convenção começa hoje e vai até amanhã no Cine-Teatro Plaza.
A convenção da igreja de Miranda Leal está sendo realizada nos mesmos dias de um evento promovido pela Só o Senhor é Deus, que promete atrair 35 mil fiéis para Maringá até amanhã. Os fiéis da Só o Senhor é Deus estão reunidos no Ginásio de Esportes Chico Neto. Ontem de tarde cerca de 2 mil pessoas participavam das atividades. ‘‘O pessoal de lá está até nos provocando’’, disse Miranda Leal. Segundo ele, um carro de som passou várias vezes em frente ao templo da Jerusalém de Deus, anunciando a convenção no ginásio Chico Neto.
O missionário diz que seu principal objetivo, no momento, não é brigar ou provocar, mas voltar para Maringá, de onde saiu no final de 1999. Logo depois de prever o arrebatamento dos fiéis, que garantia saber através de ‘‘mensagem de Deus’’, Miranda Leal deixou a cidade. De Londres pediu afastamento da presidência da igreja. ‘‘O que fizeram foi me excluir da congregação e não era essa minha intenção’’, reclama. Ele conta que no dia 19 de fevereiro do ano passado, conversou com o hoje presidente da Só o Senhor é Deus, Darci Amorim, sobre a intenção de continuar trabalhando pela igreja.
No dia seguinte, relata, os novos dirigentes da congregação fizeram uma reunião e o excluíram. A igreja ainda o acusou de desviar cerca de R$ 6 milhões e se apossar de bens como um veículo importado, um apartamento no Rio de Janeiro e da Rádio Difusora de Londrina. Sem falar em valores, o missionário diz que não recebia salário da igreja, mantinha os recursos pessoais na mesma conta onde estava o dinheiro da congregação e sacou apenas o que lhe pertencia. ‘‘Ficaram mais de R$ 300 mil na conta da igreja’’, alega.
A disputa pela posse do dinheiro, da rádio em Londrina e mesmo da igreja está na Justiça. ‘‘Confio na Justiça dos homens, mas buscamos em Deus a resposta para nossos problemas’’, afirma. Ele cita o trabalho que realizou durante 25 anos no Brasil e países vizinhos, onde mantinha mais de 1,5 mil templos e milhares de fiéis. ‘‘Agora estou começando tudo de novo, percorrendo os mesmos caminhos, inclusive países vizinhos, um pouco mais devagar por causa da idade’’, lembra.
Miranda Leal garante ainda que muitos pastores e seguidores estão procurando a nova igreja, a quem convenceu de que pretende retomar todo trabalho de 25 anos da Só o Senhor é Deus. ‘‘Achavam até que eu não vinha nunca mais para cá, mas estou de volta’’, afirmou. A Folha tentou falar ontem com o presidente da Só o Senhor é Deus, Darci Amorim, mas ele estava na convenção e não podia atender.

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