Minorias querem integrar Conselho
Representantes de diversos setores sociais estiveram reunidos durante todo o dia de ontem, no salão nobre da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, para discutir as diretrizes de um futuro Plano Estadual de Direitos Humanos. O Seminário Paranaense de Direitos Humanos e Cidadania contou com a participação de mais de 50 entidades representativas de todo o Estado,
Segundo Darci Trigo, representante da Comissão Pastoral da Terra, e um dos organizadores do evento, esta iniciativa deveu-se à resistência e protelação do governo do Estado em reconhecer o Conselho Estadual Permanente para os Direitos Humanos, cuja delegação escolhida em maio de 1996 jamais foi empossada.
Exatamente dois anos depois, o governador Jaime Lerner anunciou a oficialização de um novo Conselho. A partir dessa medida, as entidades envolvidas - representantes pastorais, sindicais, de associações comunitárias, negros, homossexuais e outras minorias - voltaram a se reunir, culminando com o seminário de ontem. Daqui serão extraídas diretrizes para um plano estadual, com metodologia visando a ampla participação da sociedade civil, explicou.
Os temas gerais abordados no encontro foram os de proteção do direito à vida e à saúde, à liberdade e à informação, à moradia adequada e ao trabalho. Cada um deles foi dividido em sub-temas que abrangeram desde a elaboração de um mapeamento da violência urbana e rural, passando pelas questões relativas às condições de saúde, erradicação do trabalho infantil até a implementação de programas voltados aos portadores de deficiência física.
Uma das características do grupo que se reúne aqui é a inserção dos chamados excluídos da sociedade. O Estado tem ojeriza por eles, criticou Frigo. As pessoas ainda não conseguiram compreender que as micro-sociedades (as das minorias, ou exluídos) também fazem parte da trama social, comentou Luiz Antonio Francisco de Souza, doutor em Sociologia e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência, da USP, um dos convidados do seminário.
Integrante do painel Estratégias para Elaboração de um Plano Estadual de Direitos Humanos, Souza comentou que o Brasil tem uma visão equivocada da questão dos direitos humanos. Acredita-se que toda ação neste sentido é para defender bandido. Para o sociólogo toda e qualquer conquista de um grupo deve ser generalizada a todos os outros, para quebrar com essa resistência. Temos uma cultura que não gosta de trabalhar com as diferenças, comentou.Marcelo AlmeidaSociedadeSeminário de Direitos Humanos reuniu 50 entidades na Universidade Federal do Paraná: mais participaçãoZeca Corrêa Leite





