Ministros lançam hoje operação contra crime
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quarta-feira, 17 de dezembro de 1997
Mônica Venson Especial para a Folha 
Os ministros do Interior da Argentina, Carlos Coratti, e do Paraguai, Miguel Ângelo Ramirez, e o ministro da Justiça do Brasil, Íris Rezende, discutem hoje, em Foz do Iguaçu, o combate ao contrabando, narcotráfico e terrorismo na fronteira entre os três países.
Os ministros também lançarão a campanha Operação Contra o Contrabando na Fronteira Tríplice. O objetivo da campanha é acertar uma estratégia comum para reforçar a segurança na região.
Esta é a segunda reunião entre brasileiros e argentinos no período de uma semana. Quinta-feira, um grupo de três ministros argentinos (Guido di Tella, das Relações Exteriores; Raúl Ocampo, da Justiça; além de Coratti) esteve em Brasília, com Rezende e o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Luiz Felipe Lampreia.
A maior preocupação dos argentinos é a fragilidade da segurança em certos trechos da fronteira, o que poderia facilitar a entrada e saída de terroristas naquele país. Eles estão buscando o apoio dos brasileiros para enfrentar a cobrança do governo dos Estados Unidos, que não se conforma com a falta de solução para os atentados anti-semitas ocorridos em Buenos Aires nos últimos anos.
O primeiro, em 1991, atingiu a embaixada israelense. O segundo, em 1994, foi um dos mais graves da história: a explosão Associação Mutual Israelita - Argentina (Amia), que provocou a morte de 86 pessoas e deixou 300 feridos.
Já para o governo brasileiro, o maior problema ainda é o contrabando. Existe uma queixa velada, compartilhada por brasileiros e argentinos, quanto à negligência do governo paraguaio no controle de fronteira contra criminosos, principalmente contrabandistas.
As questões sobre segurança na fronteira têm sido discutidas intensamente pelo Brasil desde o início do governo Fernando Henrique Cardoso. Em 95, foram intensificados os encontros com representantes da área de segurança dos países da América Latina e dos Estados Unidos para montar uma estratégia de operação comum contra o crime organizado no continente.


