Ministro tenta aliviar culpa da Petrobras
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sábado, 22 de julho de 2000
Valmir Denardin Enviado a Araucária 
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, tentou minimizar ontem a responsabilidade da Petrobras no vazamento de 4 milhões de litros de óleo cru da Refinanaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), no maior acidente ambiental ocorrido no Brasil nos últimos 25 anos. Tourinho insistiu que a causa do acidente foi primeiramente uma falha humana, que pode ter ocasionado uma falha técnica. O Sindicato dos Petroleiros questiona essas afirmações (leia texto abaixo).
Relatório de uma comissão de sindicância interna, divulgado anteontem, conclui que o vazamento ocorreu porque o funcionário responsável não abriu uma válvula que permitiria a passagem do óleo bombeado por um duto desde São Francisco do Sul (SC) para um dos dez tanques da Repar. Com o aumento da pressão no duto, houve o rompimento de uma peça chamada junta de expansão, por onde vazou o óleo.
A falha técnica ocorreu porque um sistema automático, que desvia o óleo para tanques de reserva em caso de problemas nos principais, não foi ativado. A Petrobras estava substituindo uma das válvulas desse setor, para implantar um sistema computadorizado. No local, haviam sido improvisados dois tampões no cano e na junta de expansão, que não resistiram à força do óleo.
Após sobrevoar a área afetada pelo vazamento, ontem, cinco dias após o acidente, o ministro anunciou que uma nova sindicância interna, com prazo de conclusão de 15 dias, vai apontar os funcionários que têm responsabilidade efetiva no acidente. As punições vão da advertência à demissão. Ontem, havia especulações de que o superintente da Repar, Luiz Valente Moreira, e o diretor da área de logística e abastecimento, Albano de Souza Gonçalves, serão demitidos.
Isso poderá ocorrer já na segunda-feira, quando será realizada, na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, uma reunião do Conselho de Administração da estatal. Por força do cargo, Tourinho exerce a presidência desse conselho. Ontem, ele afirmou estar convencido de que não houve negligência ou inoperância da Repar na prevenção do vazamento e no combate de suas conseqências. Segundo o ministro, é antieconômico manter estocados em todas as refinarias materias e equipamentos de combate a vazamentos.
O ministro afirmou que a Petrobras vai pagar todas as multas que receber pelo acidente. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou a estatal em R$ 50 milhões. Outros R$ 100 milhões poderão ser aplicados pelo Ministério do Meio Ambiente. Todos os prejuízos serão remediados. Vamos recuperar as áreas afetadas, sem a preocupação de quanto isso vai custar, declarou.
Hoje, a Repar voltará a processar em sua plena capacidade: 32 milhões de litros de petróleo por dia. Desde o acidente, domingo, metade da refinaria estava parada porque não havia estoques suficientes, já que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) havia interditado o oleoduto. A liberação ocorreu anteontem.


